Friday, July 11, 2014

Decisões tomadas por misticismo dá nisso

Lembro-me que havia um músico brasileiro que, diziam, tocava com um falso percussionista no palco. Supostamente, o dito cujo era pai de santo, ou coisa do tipo, e sua presença ali era para dar sorte. Como o músico é baiano, poderia ser também parte da imagem do baiano nas artes, frequentemente alinhada com o candomblé e religiões afro-brasileiras. Sei lá eu se todos realmente seguem tais religiões, pelo menos um baiano indicou num livro que não era muito chegado hoje em dia e sabe-se lá desde quando largou sua paixão pelas religiões afro. Porém o fato é que fez muitas músicas com temas religiosos no curso da sua carreira, ele e diversos dos seus colegas.

Na realidade, no caso deste outro músico, devia ser papo, pois o tal percussionista toca muito bem percussão. Não estava ali só para "dar sorte", com certeza. Se é ou não pai de santo, aí é outra história.

Longe de mim querer iniciar celeumas religiosas, não é o ponto deste blog.

Entretanto, me parece que muitas decisões referentes a escolhas de técnicos para as seleções brasileiras nos últimos 20 anos foram tomadas com um embasamento mais místico do que propriamente técnico.

Muita gente adorava dizer que o Zagalo "dava sorte", por ter sido o único, além de Pelé a ter ganho três Copas, duas como ponta-esquerda e uma como técnico. Convém lembrar que alguns meses antes da Copa, o técnico ainda era João Saldanha, que, abertamente comunista, não caía bem para os militares que governavam o país.

Atribuir a vitória em 1970 à sorte de Zagalo seria uma blasfêmia, pois quem sabe, com aquele time, até eu como técnico teria ganho. E com os nove anos que tinha na época. Bastava dizer "vão jogar bola".

A sorte de Zagalo (cujo nome passou a ser gravao Zagallo mais tarde...) não ajudou muito em 1974, e ele dançou, continuando sua carreira de técnico. Porém, algum gênio resolveu chamá-lo como assistente de Parreira, para a Seleção que disputaria a Copa de 94. Cabe lembrar que em 1990 a fraquíssima seleção tinha atingido o fundo do poço e a Seleção precisava de reforços de todos os tipos.

Para alegria dos místicos, o Brasil ganhou a Copa de 1994. Pronto, surgia o único tetra da parada, nem Pelé tinha esse título. Sim, o sortudo Zagallo, com um ou dois L, era o cara, a energia positiva do time, o ímã de sorte do selecionado canarinho. Com ele no banco estávamos garantidos.

Portanto, não foi com muita surpresa que o técnico convocado para liderar o Brasil em 1998 tenha sido o próprio Mário Zagallo, o amuleto vivo da seleção. E não é que o Brasil chegou à final? Bom, chegar à final não significa ganhar. Sendo assim, pelo jeito as "energias" de Zagallo estavam se exaurindo com o passar do tempo e ele foi mandado para escanteio.

Daí a Seleção passou por uns maus bocados, com diversos técnicos, e quem acabou sendo chefão foi Scolari, o Felipão. Chefão e ganhou a Copa de 2002. Apesar deste sucesso, Scolari caiu fora, e foi ser técnico na Europa, encher o bolso de Euros.

Zagallo acabou virando assistente mais uma vez, entre 2003 e 2006. Quem sabe nos 4 anos fora tivesse recarregado suas energias sortudas? Porém, apesar de um elenco forte, o Brasil se deu mal em 2006.

Curiosamente, com tanto técnico no Brasil, a CBF resolve contratar o Dunga, um dos heróis do time de 1994, como técnico do time. Sim, o primeiro trabalho de Dunga como técnico foi na Seleção!!! Seria algo assim como dar um Fórmula 1 para um moleque de 18 anos que acabara de tirar a carteira (e nunca dirigiu carro ou kart). Não se falou nada sobre as virtudes sortudas de Dunga, porém, o teimoso gaúcho perseverou no comando do selecionado, e considerando que era estreante, não fez feio. Só não chegou nem perto das finais.

Imagino que a a mesma veia mística tenha levado à escolha de Felipe Scolari, que "deu sorte" em 2002. Independente de claros sinais de desgaste do técnico, em grande parte responsável pela queda do Palmeiras da série A do Campeonato Brasileiro. O Scolari já tinha visto melhores dias.

Certamente a escolha de Zagallo durante tantas Copas tinha um elemento de misticismo, pois o carioca há muito tempo não conquistava nada. Estaria no banco nas últimas só para dar sorte?

No final das contas, nem Zagallo, nem Dunga, e nem o Scolari de 2014 deram sorte.

Nosso País tem um número incrível de cursos universitários, alguns até engraçados. Porém, desconheço que haja algum curso para técnicos de futebol. Se o futebol for levado à sério daqui para frente, seria interessante criar um curso deste tipo, e deixar para trás os "professores" que assumem times logo após pendurar as chuteiras, com fraca teoria, péssimos conhecimentos táticos e uma boa dose de preguiça. Afinal de contas, se os times Classe A não se recusam a pagar até 700 mil por mês aos tais "professores" (coitados dos verdadeiros professores), para que se esforçar mais?

Infelizmente, tirar o futebol brasileiro da sarjeta vai requerer uma atitude diferente, inclusive eliminar o fator sorte como critério de escolha de treinadores.

Cartão das Lojas Marisa - como jogar dinheiro no lixo

Em uma recente e rápida passagem pela cidade de São Paulo, minha esposa e eu passeávamos faceiramente na Rua Augusta, e ela, por incrível que pareça, viu algo que gostou na Lojas Marisa, uma cadeia que sempre detestou. Entramos na loja e ela resolveu comprar o artigo.

Fomos pagar, e aí a gentil caixa nos ofereceu o cartão da loja, com 10% de desconto. Disse que não, ela simpaticamente insistiu, e embora já tivesse tido problemas com um cartão de loja nos EUA, aceitei. Duas outras mocinhas, uma simpática, e a outra não tanto, nos atenderam num outro setor, o do crédito. Ficaram muito tempo conosco, parecia que eu estava comprando uma casa. Garantiram que tudo sairia "nos conformes".

Como não moro no Brasil, a conta iria para a casa da minha sogra. Esta nunca chegou. Por sorte, minha esposa teve que passar por SP novamente, um mês depois, por questões de doença na família, e resolveu ir na loja e pagar a conta que não chegava. Lá descobriu que apesar da demora para finalizar o cadastro, a "especialista em crédito" tinha anotado um endereço inexistente!!! Esta foi, obviamente, a razão de não receber a fatura.

Pois bem. Fatura paga, recibo na mão, papo encerrado. Adeus, Lojas Marisa.

E as Lojas Marisa continuam a ligar para a casa da minha sogra. Resolvi entrar no site, e enviei um email explicando toda situação. Nunca recebi resposta. Julguei o caso por encerrado.

E as Lojas Marisa continuam a ligar para a casa da minha sogra, ameaçando colocar meu nome no Serasa. Fizemos uma ligação, e uma gentil atendente ouviu o que tinha dizer. Ouviu, porém, acho que não compreendeu, ou fingiu que não entendeu. Disse que por ter sido paga com atraso, encargos no valor de 26,65 reais incidiam na fatura anterior, que fora paga. Ou seja, lá se foi pela janela o propalado desconto. Expliquei-lhe, mais uma vez, que quem tinha anotado o endereço errado fora a representante das Lojas Marisa.

Como uma autômata, continuou a falar enquanto eu falava. Disse que a culpa não era dela, etc e tal. Ora, sabia que a culpa não era dela, porém, se ela estava ali para me atender, resolver o problema, que me atendesse.

Daí a burra (só posso me referir a ela desta forma) me disse que eu poderia pagar no Banco Bradesco. Já tinha dito, mais de uma vez, que morava em Miami, e não ia ao Brasil com frequência. Cada coisa que lhe pedia, a resposta nada tinha a ver com a pergunta, parecia um papo de bêbados. Só ficou claro que quem estava errado era eu, e as Lojas Marisa, certa, apesar de todas evidências ao contrário. Detalhe, a tal fatura cobrando os encargos, após minha esposa pagar a primeira fatura e corrigir o endereço na loja, nunca fora enviada.

Por fim, já perdendo a paciência, pedi-lhe que me desse informações sobre como pagar pela internet, meu único recurso sem ter que alugar familiares ou amigos para pagar uma merreca de 27 reais. Ela me deixou esperando na linha, para piorar, com uma música horrível, que em vez de me acalmar, me deixou mais nervoso.

Daí voltou á carga. Deu o CNPJ e nome da administradora de cartões, um código. e disse que assim podia pagar na Internet!!!  

Desisti com tanta burrice e incompetência. A gentil moçoila (sua grande virtude foi continuar educada, apesar de eu ter semi-rodado a baiana umas duas vezes, para ver se chamava sua atenção) simplesmente se esquecera de dar o número da conta, ou mesmo indicar qual era o banco.

Enfim, nada resolvido.

Na pior da hipóteses, a Lojas Marisa treina muito mal as moças que trabalham tanto nas lojas ou nos SAC. Educadinhas elas são, incompetentes e burras também!! Em boa dose.

Resta saber se não tem rolo por trás. Pois aqui nos EUA aconteceu a mesma coisa com um cartão da GAP.

Será que o ponto da coisa não é justamente anotar um endereço inexistente, para recuperar o desconto e ainda ganhar um troco em cima?

Em suma, Lojas Marisa nunca mais.

Thursday, July 10, 2014

Algo a se pensar

Desde que Pelé se aposentou no futebol brasileiro, em 1974, com certeza centenas de milhares de rapazes tentaram fazer a sua marca no esporte, começando nas categorias de base. Alguns atingiram nível profissional, passando a vida jogando nas centenas de Ibis e Moto Clubes desta nossa terra, jogando até por arroz e feijão. Alguns poucos fizeram carreira decentes em times razoáveis, outros tantos em times grandes, e um número menor ainda atingiu fama. Alguns chegaram a estatura de ídolos, tornando-se ricos. Entretanto, nenhum chegou aos pés do Pelé.

Sei que não se trata de uma unanimidade. Alguns vão dizer que Garrincha jogava mais, que Zico era o cara, tem até música para o fraco Fio. Porém, se não vamos atingir o consenso numa base subjetiva, que seja objetiva. Ninguém marcou mais gols. Nenhum jogador ganhou três Copas como ele. Nenhum jogador fez um lance tão bonito, que não foi gol, mas o juiz ainda assim marcou o tento! Nenhum jogador fazia parar guerras quando chegava num país. Nenhum jogador jogava bem em todas as posições - até no gol Pelé jogou numa partida e não fez feio. Nenhum jogador era aplaudido por juízes, adversários e torcidas dos adversários, em todos os países onde pisava. Reis, Papas e Presidentes queriam conhecê-lo de perto. Nenhum negro era tão respeitado no Brasil nos anos 50, 60.

Sim, como pessoa pública Pelé já falou muita besteira, sobre uma série de assuntos. Todo homem público faz isso. Não é nenhum Einstein, e certamente, fora do futebol tem poucos talentos. Porém, é um poço de simpatia, sim, a simpatia é um dos seus talentos. Nas três vezes em que interagi pessoalmente com ele, me tratou muito bem, como se fosse meu amigo de infância. Continua a representar bem a imagem do Brasil aqui fora.

Não digo tudo isso por que sou torcedor do Santos. Digo isso por que Pelé foi, e é, sem dúvida, o rei do futebol mundial e merece respeito, apesar da opinião dos despeitados Maradonas.

Quando ocorreu a primeira Copa no Brasil, Pelé tinha meros nove anos, e morava longe de qualquer cidade onde foram realizados jogos. Estava a muita distância do Maracanã naquele fatídico dia do Maracanazo. Foi uma realidade bem distante do Edson Arantes do Nascimento, a Copa de 1950.

Nesta Copa de 2014, um dos grandes heróis do Brasil já é um senhor. Não vive mais da bola, mas de sua imagem. E se o Brasil estivesse na final, e ganhasse a Copa, lá estaria Pelé no mesmo Maracanã de 1950.

Existe um pouco de justiça no fato do time ter se perdido naquele final de tarde de uma terça-feira. Isto porque, a meu ver houve um grande desrespeito. Enquanto o Brasil ia se aproximando do hexa, alguém resolveu que era hora de colocar o condenado filho do grande jogador, Edinho, na cadeia.

Não vou entrar nos méritos da culpa ou não de Edinho, até por que não segui o processo, não sei detalhes e não posso, e nem devo, me manifestar sobre o assunto. Só sei que poderiam ter esperado para colocar o filho do grande jogador numa cela comum. Podiam esperar duas, três semanas. Não havia tanta premência assim para tirar Edinho da sociedade durante Copa, afinal de contas, ele não cometeu nenhum hediondo crime de sangue.

Houve um grande desrespeito com a pessoa do herói nacional Pelé, isso sim. Alguém que não gosta muito de futebol, do Santos, do Pelé, ou quem sabe outra razão pior ainda, de cunho pessoal, alguém quis aparecer.

Daí digo que houve uma certa justiça na nossa derrota, pois agora Pelé não terá que fazer o papel constrangedor de comparecer ao Maracanã, risonho, no domingo, para comemorar uma possível vitória do Brasil. Se quiser, pode ficar tranquilo em casa, chorando o destino do filho.

Nesse ponto, o 7 x 1 foi um bálsamo.  

O país que não sabe honrar seus heróis não merece muitas conquistas.

Sunday, July 6, 2014

Hora de fazer algumas mudanças

Vou ser sincero. Nunca engoli a vitória do Brasil na Copa de 94. Foi uma vitória meia-boca. Essa coisa de ganhar nos pênaltis nunca me agradou. Tenho certeza de que foi o trauma da decisão por pênaltis do campeonato paulista de 1973, que me crriou esta aversão, aprofundada com a nossa Copa meia-boca - de longe a mais fraca conquista do Brasil em Copas, que me desculpe o Ilmo. Sr. Dr. Deputado Romário e Cia Limitada.

Sendo assim, haja vista a proliferação de decisões por pênaltis nesta Copa (uma das quais inclusive favoreceu o Brasil), acho que já é hora de acabar com esta palhaçada. Para mim, decisões por pênaltis são tão "emocionantes" quanto o uso de safety car e pitstops na F1.

Isto posto, tenho algumas sugestões, que muitos vão achar horrríveis, coisa de louco que nunca jogou futebol, etc. Divirtam-se.

Primeiro, nada de decisão por pênaltis. Chega. Encheu! Há no banco um plantel completo de jogadores. Que se expanda as prorrogações até alguém marcar, permitindo quantas alterações forem necessárias durante as prorrogações (inclusive volta de jogadores descansados). Sendo assim, acaba com certeza vencendo o plantel mais forte e melhor preparado. Com morte súbita. Alguns hão de dizer, um jogo de futebol não pode ir além de 150 minutos, tem a TV, etc. Para começo de conversa, a lenga-lenga dos pênaltis toma quase meia hora, portanto, o argumento temporal é falho.

Em outras palavras, decisões por pênaltis não provam nada. Estudem a carreira de diversos jogadores importantes, e verão que pênalti não é gol certo, muitos jogadores, inclusive o Neymar e Pelé, já perderam pencas de pênaltis. Infelizmente, é bem capaz que esta Copa seja, novamente, decidida desta forma.

Segundo, uma proposta controversa. Meio gol por bola na trave! Ok, o gol, o objetivo do futebol é a bola dentro, etc. Em tese, há muito mais área dentro do gol do que superfície de trave, portanto, alguns poderiam achar que acertar a trave é mais difícil. Convém notar que para acertar dentro do gol, o jogador tem que mirar na trave. sendo assim, a bola na trave não é falta de habilidade, e sim, boa pontaria, tem que valer algo. Óbvio que se eventualmente a bola entrar após bater na trave, o meio ponto não vale. Para não usar metades, o gol pode valer dois pontos, a bola na trave um ponto, assim não teremos scores esquisitos como 3,5 x 2,5.  

Chega de impedimento. Sei que o impedimento supostamente existe para coibir a retranca, blá-blá-blá, mas na realidade, este artifício cria retranca na forma de um feio jogo embolado no meio de campo, com chutões e paradas a cada dois minutos. Se for para embolar, que se embole nas áreas, é muito mais divertido (e podem ocorrer pênaltis, que durante o jogo são emocionantes). Ontem tanto a Costa Rica quanto a Argentina abusaram do impedimento, e o resultado foi uma quarta de final com pouquíssimos gols. Na realidade, o Brasil com seu pífio ataque foi o artilheiro das quartas de final, com dois gols (marcados por zagueiros)!

Sim, estou propondo uma revolução. Os tradicionalistas vão querer me mandar para forca. Porém, convém lembrar que antigamente não se admitiam substituições em jogos, hoje aceita-se. Para os puristas na época, a substiuição era coisa de louco, coisa de maricas, homem viril joga até morrer!

Se for para mudar o espetáculo, que seja com um verdadeiro show, não com artifícios ou tintas para marcar a linha da barreira.

Friday, July 4, 2014

A Copa Inganhável

Considere a Grécia. O time helênico, sem grandes tradições futebolísticas, entrou na Copa e inclusive avançou para a segunda fase, e quase para a terceira. Acabou caindo, mas se você falar com o mais humilde dos gregos, isto não interessa. Hoje um dos países mais pobres da União Europeia, e economicamente inviável exceto pelo turismo, o grego tem uma grande auto-estima, orgulho da sua milenar civilização cujos efeitos sentimos até hoje, nos idiomas, filosofia, política, ciências, direito, arquitetura. Sem contar os jogos olímpicos e uma razoável extensão territorial obtida por Alexandre, o Grande.

Considere nosso Brasil. Temos uma auto-estima frágil, afinal de contas, nossas contribuições para a humanidade têm sido notas de rodapé, em vez de estruturais. Sim, temos o samba e a bossa nova, a feijoada, a capirinha, o churrasco rodízio, a cueca como elemento de corrupção. Porém, apesar da insistência de que somos o país do inventor dos aviões, continuamos a ser exportadores de matéria prima e importadores de tecnologia (embora, curiosamente, um dos maiores produtores de aviões de passageiros seja a brasileira Embraer). Muito pouco se inventa ou desenvolve no Brasil, cuja trajetória econômica continua a ter seus altos e baixos.

Sendo assim, a auto-estima do povo do país, como um tudo, é muito fundamentada nos sucessos esportivos do país no âmbito mundial.

Já escrevi uma vez sobre o assunto, vai aqui um resumo. Não há nexo causal no que vou falar, certamente é uma coincidência das grandes. Até 1970, nossa auto-estima era 100% fundamentada no futebol, consolidada com no tri da Copa de 70. No final do ano, um piloto brasileiro ganhou seu primeiro GP, e este mesmo piloto, Emerson Fittipaldi, acabou ganhando os títulos mundiais de 72 e 74. Neste último ano, houve também uma Copa, na qual o país não se apresentou bem. E, de fato, do final de 1970 a 1994, nossa "auto-estima" teve que ser satisfeita com as vitórias de três pilotos no Mundial de F1, que resultaram em oito campeonatos ganhos. Daí veio a morte de Senna, e nossa auto-estima tomou um baque. Salvando a situação, o futebol que estava em franca decadência, conseguiu ganhar a Copa de 94. Trocaram-se os papeis. Em 98, fomos vice, em 2002, campeões novamente. Persistiu a auto-estima esportiva.

E na F1, passamos à mera condição de coadjuvantes.

Só que desde 2002 o futebol enfraqueceu. Sim, de vez em quando aparece algum novo craque que vai dominar o mundo, o Gaúcho, o Adriano, o Pato, o Nilmar, o Kaká, o Robinho, e agora o Neymar. Porém, a geração atual de riquíssimos futebolistas brasileiros é decididamente fraca, até por que, por razões quase análogas à F1, hoje muitos países contribuem times e pilotos de primeira, não somos mais o grande celeiro de esportistas.

O povo, certamente com auxílio do governo, trocou suas prioridades. Na falta de filosofia e influência linguística, passamos a acreditar que o Brasil estava na direção de se tornar um gigante econômico. Veio a crise de 2008, e para nós foi só uma "marolinha" enquanto o primeiro mundo se debatia com a possibilidade de falência. Um dos nossos se tornou o bilionário da hora, o gênio das finanças e dos negócios e poster boy da revista Forbes. Descobrimos o pré-sal, as instituições se fortaleceram (!), reduziu-se o número de miseráveis no país, o real chegou a ser considerado uma moeda semi-forte, o Brasil se tornou o celeiro do mundo, e de um golpe só, o país foi escolhido para sediar a Copa e as Olímpidas ...Enfim, a auto-estima esportiva cedeu a uma auto-estima mais madura, de um país que estava crescendo.

Algo (inevitável) ocorreu no meio do caminho e o objetivo deste post não é discutir os múltiplos detalhes. Porém, a pujança cedeu lugar a um sentimento de instabilidade, a alegria inicial em sediar a Copa se transformou em raiva, a inflação ronda rugindo, até o Mr. Forbes empobreceu. E nos esportes, continuamos fracos.

CABUM! Foi-se a auto-estima do brasileiro.

Hoje o Brasil joga contra a Colômbia, jogo decisivo, como são todos depois da fase inicial. A julgar pelas partidas anteriores, o Brasil vai sofrer para ganhar, se é que vai ganhar. Se ganhar e passar para a fase semi-final, vai continuar sofrendo. Ocorre que, para o país, apesar de seu humor ter "melhorado" por causa da Copa, ganhando ou perdendo a Copa a auto-estima do Brasil continuará em baixa.

Se ganharmos, por causa da aventada possibilidade de manipulação do resultado, ficará sempre a dúvida. Se perdermos, muitos dirão, EU SABIA. Ou seja, esta é uma Copa inganhável. E o país continuará  a ser um muro de lamentação. Sem filosofia, arquitetura, idioma, sem nada para se orgulhar.

Felizes são os gregos.

Tuesday, June 24, 2014

Algumas baboseiras sobre a copa etc e algumas coisas sérias

De repente, me lembrei dos idos de 1998, 1999. Naquela época, alguns esperavam o fim do mundo, o colapso total dos sistemas de informática, que não saberiam como passar de 1999 para 2000. O Y2K. Muito se falou - e se gastou - sobre o assunto. Apareceram especialistas de todos os lados, teve gente comprando comida, água, pilhas. Eu mesmo acabei traduzindo diversos planos de recuperação de bancos, caso houvesse o temido colapso. E de tanto ouvir falar sobre o assunto, fiquei semi-paranóico durante duas semanas. Na base do "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay", resolvi - timidamente - começar a estocar comida. Minha primeira - e última - provisão foi um lote de 24 latas de milho. Acabei chamando-os de MILHÊNIO, e dei a maioria das latas para amigos, quando passou a paranoia.

O resultado, todos sabem. Não houve colapso de sistema bancário, financeiro, energético, nada. EM NENHUM LUGAR. Pelo jeito, era tudo uma grande armação.

Ser precavido é bom, porém, também é bom cheirar armação de longe.

Confesso que até eu achava que a Copa seria um desastre total no Brasil, que o país não estava preparado, o escambau a quatro. Pelo jeito, não houve tantos problemas quanto na Copa da África do Sul. Na hora H até os mais ávidos manifestantes estão com as TVs e computadores ligados nos jogos e colecionando figurinhas...

Sei que havia um ângulo político, e ainda há. Vai haver manipulação? Provavelmente. Houve roubo? Certamente. Não sou tão estúpido. Alguns hão de dizer que as coisas estão bem por causa da intervenção da heroína imprensa, tipo "se a imprensa não tivesse falado tanto, aí sim iria acontecer um desastre". Que me desculpe a imprensa, seria um pouco Chimentesco dizer que o sucesso da Copa, até agora, foi devido ao escrutínio do quarto poder. Se fosse para dar meleca, teria dado, com ou sem imprensa. Sem trocadilho, acho que uma prensa da FIFA foi mais vital do que milhares de artigos e programas que exaustivamente mostraram que a Copa seria um vexame. Convenhamos, no fim das contas, o que vale é dinheiro no bolso e paz. E ninguém quer ser processado pela FIFA, sediada ainda por cima na Suiça. A adimplência de contratos é o que contou para o resultado até agora bom.

Ok, não há trens balas, a pobreza ainda existe no país, nossos aeroportos não são Schiphol ou Miami, e, de modo geral, muito pouca gente ganhou dinheiro com a Copa. Ou vai ganhar. De fato, os jornais de hoje dizem que a criação de empregos formais neste mês de maio foi a menor para este mês nos últimos 22 anos!

Agora, francamente, um cara que mora no interior do Piauí ou Rondônia, ou em qualquer cidade que não seja sede da copa, não mexe com turismo, hotelaria, restaurantes, logística, mídia ou construção, nem gosta de futebol, ora bolas, o que esse cara achou que iria ganhar, em termos financeiros, com uma Copa do Mundo? O cara é encanador em Blumenau e achou iria ganhar grana com a Copa?

Acho que no fundo essa foi a bronca dos milhares que foram às ruas. CADÊ MINHA GRANA? Acharam que ia sobrar algo para eles, e quando não sobrou, ficaram uma vara, viraram blackblocks e sininhos!!!

Não se trata de defender o governo, ou qualquer partido político, até porque, quem me conhece sabe muito bem que sou apartidário. Entretanto, a linha geral de ataque CONTRA a Copa, que o dinheiro poderia ser usado na construção de hospitais e escolas, me parece um tanto falha, e vou explicar porque.

Primeiro, por que o valor é relativamente insignificante, considerando as grandes necessidades do Brasil. É um fato. A carência do país nestas áreas (educação e saúde), provavelmente soma alguns trilhões de reais. Vejamos, por exemplo, as faustas e faraônicas aposentadorias de um grande número de servidores públicos (e am alguns casos, filhas de servidores públicos mortos há décadas, não casadas). Este é um problema muito mais sério, constante, em expansão, estrutural, e não pontual, do que a Copa. A Copa é pinto, em termos das fortunas que são gastas com estes exagerados benefícios.  Que me desculpem os beneficiados...

Segundo, tratar tal evento como completamente supérfluo é um precedente perigoso, que poderia levar ao raciocínio de que todo e qualquer evento esportivo, artístico ou cultural é supérfluo. Afinal de contas, isonomia é boa, a faz bem. Obviamente, aqueles que gostam de artes plásticas iriam chiar se o governo começasse a fechar museus, afinal de contas, precisamos de hospitais e escolas, museu é supérfluo. Vêm como o raciocínio é perigoso?

Muitos artistas andaram debandando a falar mal da Copa, frisando justamente a má alocação de fundos. Porém, salvo por Lobão, e provavelmente outros que desconheço, poucos artistas falam mal da Lei Rouanet, que direta ou indiretamente, reduz o fluxo de recursos para o governo ou os extrai, criando incentivos para patrocínio de eventos ou produtos culturais. Eu sou um cara da cultura. Porém, um sujeito como o Gilberto Gil, que inclusive já foi ministro, não precisa de recursos da Lei Rouanet para fazer um show!!! Não tenho ideia de quantos projetos já foram aprovados sob a égide desta lei, porém, imagino que devam ser milhares, alguns envolvendo recursos milionários.

Ou seja, em corporativismo puro, alguns artistas - que provavelmente não gostam de futebol, ou não querem admitir que gostam, ou querem Ibope - combatem o uso de bilhões na construção de estádios (que inclusive poderão ser usados para seus shows, no futuro...), porém, nada dizem quando pencas de artistas de renome abocanham verdadeiras fortunas de dinheiro público para fazer shows, sem contar o grande número de livros, CDs e DVDs financiados com tais recursos. Às vezes são shows mequetrefes e meia-boca, só com o artista, um violão, sua voz desafinada, nem banda contratam! E sabe-se lá se os fundos não terminam imobilizados em cimento e vidro em Paris, Nova Iorque, Miami...

Sem tirar o foco, se considerarmos uma Copa do Mundo supérflua, então, todo dinheiro público gasto em concertos, exibições, exposições, carnaval, e todo e qualquer evento esportivo é tão supérfluo quanto a Copa. E diga-se de passagem, na somatória, estes fundos provavelmente dão algumas Copas por ano! Vamos cancelar tudo então? (Cabe lembrar que quando uma empresa reduz sua carga tributária por patrocinar um evento ou produto cultural, o governo arrecada menos, tirando de circulação dinheiro que poderia ser gastu em hospitais ou escolas. Existe um custo, sim. Em síntese, é isso).

Enfim, temos aqui uma boa dose de hipocrisia, além de um faux elitismo. Dizem que rock and roll é 90% postura, 10% talento. Olha, não é só no rock. Muita gente se incomoda muito mais com sua postura do que conteúdo. Existe um povo no Brasil que se auto denomina eliteculturalformadordeopiniãogentefinadealtonível, e adora desdenhar do futebol, por exemplo, por ser "popular". E com a boca cheia, adoram dizer que têm uma visão mais "europeia" da vida. Pois bem, na Europa inteira os estádios ficam cheios, durma-se com um barulho destes! Europeu é doido por futebol! Essa afetação besta acaba sendo uma boa dose de ignorância do aspirante a elitista. Se não gosta de futebol, ótimo, agora, não vai querer se ufanar empombadamente de ser uma pessoa de um "nível cultural tão alto" que detesta este esporte (mas até aguenta o tênis e o golfe, esporte de gente mais fina. De novo a danada da postura).

Por fim, fico imaginando a tal copa em Catar. Nosso país tem dimensões continentais, e parte do problema tem sido exatamente esse, a distância entre as cidades sede. Agora, o Catar é minúsculo! Se construírem ez estádios no  "país", não vai sobrar espaço para ninguém viver ou circular. Ou será que vão connstruir um em cima do outro, em forma de veleiro?

E tenho dito.

Tuesday, June 17, 2014

Todo brasileiro é técnico de futebol, sou brasileiro, portanto....

Antes de mais nada, confesso que sou grosso em futebol, com G maiúsculo, e que a última vez que joguei algo parecido com uma partida de futebol inteira  faz mais de 25 anos. Entretanto, não me venham com essa argumentação de que não tenho capacidade para opinar sobre o assunto, devido à minha falta de experiência em campo.

Escrevo sobre automobilismo, e nunca corri. Muitos interlocutores que um dia já correram (que seja duas ou três corridas) se julgam mais capacitados para opinar sobre o esporte de modo geral, e cansam de dizer isso no facebook, foruns, etc, etc. É verdade que a experiência é importante para obter certas informações sobre qualquer faceta da atividade humana, mas nem todas. Além disso, muitas das mesmas pessoas que usam esse artifício no tocante ao esporte motor, se julgam capacitadas para opinar sobre política, sem nunca ter ocupado cargo político, sobre economia, sem saber quem foi Adam Smith, e sobre música, sem saber a diferença entre compasso, harmonia e tom, sem contar opiniões sobre religião, filosofia, ciência, negócios, etc. Isto não os impede de vociferar opiniões sobre tudo, sobre todos, com fortes doses de desconhecimento histórico de todos os assuntos. Inclusive história do automobilismo, no caso de alguns ex-efêmeros pilotos.

Isto posto, o que vou dizer aqui não requer nenhum conhecimento mais profundo de táticas e esquemas futebolísticos, visão de jogo, jogar sem bola, e tantas outras coisas que os especialistas adoram mencionar às pencas para diferenciar-se dos meros seres humanos "que nunca jogaram bola mesmo". Para chegar a certas conclusões, basta um pouco de raciocínio e sensatez. E creio ter ambos,.

Comprei um livro que contém as súmulas de todos os jogos do Santos, de 1912 a 2012. Já li milhares delas, e junto com meu razoável conhecimento histórico do nosso futebol, posso falar com autoridade sobre este tópico específico. No seu auge, o Santos contou com um plantel mais ou menos fixo durante anos. O técnico Lula esteve à frente do time durante mais de dez anos. Não era só Pelé que estava em todas, Zito, Lima, Pepe,  Mengálvio, Coutinho, Toninho Guerreiro, Edu, Clodoaldo, Carlos Alberto, Dorval, Gilmar, jogaram anos a fio juntos. Até mesmo alguns reservas como Douglas, Turcão, Oberdan, Pitico, Léo, fizeram parte do elenco durante muitos anos.

E isso não ocorria só com o Santos. O Botafogo do Rio, o Palmeiras, o São Paulo, o Cruzeiro, de fato, todos os grandes times conseguiam segurar seus melhores jogadores como Ademir da Guia, Jairzinho, Dudu, Rivellino. Dirceu Lopes, Zico e muitos outros coadjuvantes, durante diversas temporadas.

O nosso futebol é supostamente rico em talento, porém, falta-lhe o dinheiro. Sendo assim, hoje em dia um time contrata um jogador, se esforça para pagar 500 mil por mês, daí aparece um time da Europa e leva o cara embora com uma conversa mole. Sem contar a garotada das bases, levados às dúzias para times dos quatro cantos do mundo, e jogadores que adoram trocar de time dentro do Brasil a cada seis meses. Sendo assim, os ídolos dos times brasileiros, na atualidade, são passageiros. Muitos "ídolos" não ficam mais de um semestre nos grandes times do nosso Brasil, que têm que estar sempre improvisando, implorando jogadores emprestados, ou comprando "estrelas" por milhões com resultados questionáveis, como está sendo o caso de Leandro Damião no meu sofrido Santos.

Entretanto, há um time brasileiro que pode trabalhar com um elenco basicamente fixo durante quatro anos ou mais. E este é a Seleção brasileira.

O que se viu nos quatro anos de "preparo" para a copa foi um smosgarbord de jogadores de diversos matizes, procedências,  idades e experiência, basicamente sendo usados em jogos de pouca relevância, com exceção da Copa das Confederações. Ficou claro que o elenco atual simplesmente não se entende, e não poderia ser diferente. Os caras simplesmente não jogaram juntos suficientemente e muitos não jogam no Brasil há anos, mal se enfrentaram nos campos no Brasil, muito menos na Europa!

No passado, achava-se que o abundante talento dos jogadores brasileiros poderia superar até mesmo a falta de entrosamento. Porém, fica muito evidente não só com este elenco atual, mas com a geração inteira de futebolistas brasileiros, no quesito talento não somos mais aquela unanimidade dos anos 50 a 70. Há muito jogador mediano na seleção, quem sabe um ou outro semi perna de pau.

Na minha humilde opinião, se fosse determinada uma base de pelo menos 11 jogadores desde o começo da preparação, hoje teríamos um time entrosado. Agora, devemos esperar que o entrosamento ocorra em campo, num curtíssimo espaço de tempo.

Sendo assim, já que o erro está feito, só nos resta esperar que o fator casa conte, e que o Brasil supere seus óbvios problemas na raça, pois no entrosamento e talento estamos fritos.