Saturday, February 15, 2014

O mundo e seus falsos - e verdadeiros - pioneiros e inventores

O mundo dos negócios está repleto de herois, como Bill Gates e Steve Jobs, considerados pelas massas como verdadeiros inventores, a la Edson, de coisas como o sistema operacional DOS e o iPhone. Não há dúvidas que por trás de tanto heroísmo existe muito exagero. Não vou dizer armação, pois acredito que o povo pensa o que pensa por que é, acima de tudo, bobo, ingênuo e mal informado.

Há muito que não existem mais inventores, pelo menos de itens complexos, no esquema do grande e prolífico Edson. As últimas grandes invenções são geralmente fruto de centenas, senão milhares de horas de pensamento e testes efetuados por dezenas, ás vezes mais, profissionais trabalhando em conjunto, com investimentos de milhões. Quase tudo relevante é feito ou aperfeiçoado por comitê.

Sendo assim, engolimos a mentira de que Gates inventou o Dos, quando na realidade, comprou esta programação básica do seu inventor há mais de trinta anos atrás. Teve o mérito de ter a visão, e também, de ter acesso à grana, e muita sorte aliada à competência. Daí soube continuar a investir, expandir, proteger-se, acabar com concorrentes e tornou a Microsoft no fenômeno atual. Não tenho ideia se sabe ou não programar um computador, porém, o certo é que não inventou o DOS que lhe trouxe tanta fortuna.

Assim é que Jobs não inventou iPhones, ipods, ipads, etc. Sim, em última análise foi um grande gênio de marketing, soube como colocar estes produtos no mercado, porém, é preciso ter muita ingenuidade para achar que os produtos da empresa que geriu (e da qual se afastou) durante muitos anos eram gerados por diversas horas passadas por Steve em laboratório, ou mesmo concebido.

Quando era garoto, logo me apaixonei por corridas de carro. Como muitos meninos com ávida imaginação, tinha meus próprios países e continentes, e neles, cidades, personagens, empresas e campeonatos de automobolismo. Cresci no Brasil, nos anos 60 e 70, quando as emissoras de TV, mesmo em São Paulo, não passavam de seis. Ou seja, ninguém pensava na época em TV segmentada. Pois no meu continente tinha, a TV dos Carros, emissora que transmitia somente corridas de carro, nada mais.

Eventualmente, quando a TV a cabo estourou, e a tecnologia permitiu a expansão do número de canais, começaram a surgir canais de todos os tipos. Nos EUA, surgiu o Speed Channel, cuja proposta inicial era idêntica à da minha TV dos Carros. Sou gênio? Não, óbvio, só tinha muita imaginação. e certamente, nunca tive acesso a grana para lançar um canal de TV.

Falando em TV, nos últimos dez anos surgiu o fenômeno da Reality TV. Alguns dizem que foi o BBB original, o tal holandês, a criar o gênero, outros que foram os canais segmentados, ou outros antigos programas desconhecidos que não vingaram. Atualmente, aqui nos EUA, você pode assistir a dúzias de programas sobre a realidade do dia a dia de prostitutas, advogados, operadores de empresas de guincho, policiais, médicos, enfermeiros, etc.

Curiosamente, ao ler um exemplar recente da revista em quadrinhos "Disney Anni d`Oro", uma das revistas do grupo Disney editadas na Itália, me choquei ao descobrir que uma historinha com o Pato Donald, publicada na revista Topolino n. 1388, de 1982, descreve exatamente o que viriam a ser os reality shows de um futuro próximo. Na história "Paperino e la Serie Televisiva" (não sei se foi ou não editada no Brasil) um diretor de TV vê o Pato Donald sofrendo com sua vida, e decide fazer um "reality" com o pato. Não vou contar o resto da história, exceto que o tal show foi ao ar, e virou um grande sucesso, e um belo dia...

Quem diria...

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