Considere a
palavra badalhoca. Segundo um amigo, jornalista de mão cheia e autor de um
livro de crônicas, o vocábulo significa algo assim como tranqueira. De fato, a
palavra, de tão relevante, inspirou até uma crônica homônima. Já para outra
pessoa, tão confiável quanto o escritor, badalhoca significaria aquele resíduo
sólido que insiste em permanecer no término da cavidade retal, mesmo após
criteriosa limpeza mecânica. Convenhamos, são duas definições bastante díspares
e confundir uma badalhoca pode trazer sérios distúrbios à saúde.
Quanto à
jaroleta, ouse perguntar ao google. O sabichão do mundo virtual não retorna
sequer uma instância desta palavra no nosso idioma. Nota: pronuncia-se
jaroleta com “r” curto, e não dois “rr”. Entretanto, nos idos de 1974, surgiu verbalmente
a jaroleta brasileira entre o nosso meio, os estudantes da oitava série do Colégio Macedo
Soares em São Paulo, ao mesmo tempo em que se popularizava a palavra “panaca”,
esta sim bastante difundida, embora um tanto boco-moca hoje em dia.
De uma
coisa sei. Apesar de progidiosa criatividade, não fui eu o autor do termo no vernáculo. Além
de arranjar apelidos para os colegas, naquela altura das coisas já tinha criado
diversos países, um continente, centenas de pilotos, marcas de carros e
empresas dos mais diversos setores, canais de televisão, times de futebol,
cantores e músicos no meu próprio universo, além de compor diversas músicas,
com começo, fim e meio. Até um mini samba-enredo. Criatividade com uma propensão ao detalhe não
me faltava, porém não fui eu o pai da jaroleta, que fique claro.
Tampouco
sei o que significava. Alguns podem atribuir ao sonoro e silábico termo um
significado fálico. Outros, mera interjeição. Porém, tinha lá a jaroleta algo de proibido, como muitas coisas
eram no País. Parece-me,
entretanto, que era um substantivo de significado assaz obscuro, mas certamente
não era uma conjugação do verbo jaroletar, nem tampouco um adjetivo. Não era um
nome próprio também. Mas a jaroleta entusiasmava a nossa imaginação.
Alguns
filósofos gregos julgavam que palavras tinham vida própria, e vinham ao mundo
captadas, descobertas por mentes iluminadas – advinhou, filósofos. Já eram
corporativistas os platões de plantão, certamente teriam criado fartas pensões
para eles mesmos, se pudessem. Certamente acho isto um exagero, principalmente
num mundo em que neologismos e bordões dão à luz às pencas. Quem criou a
jaroleta, portanto, não deve ter sido um gênio, porém, merece crédito. Sua criação
não pode ficar fora do universo virtual.
Não sei se
algum antigo colega vai se lembrar da pseudo-elocução. Quem sabe, alguém até
possa assumir a paternidade da expressão, com um orgulho alqaedista.
Para mim,
resta somente fazer jus a esta simpática palavra, que um dia foi criada,
repetida algumas vezes, teve uma existência efêmera e logo morreu uma morte pene-latina. Digo isso por que
não teve a oportunidade de influenciar algumas dezenas de idiomas. Homenageio
aqui a imaginação de um colega, provavelmente, próximo, que pariu a jaroleta.
Viva a jaroleta.
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