Amo patos. É o meu bicho predileto, e todos que me conhecem bem sabem disso. Acham estranho inicialmente, porém, eventualmente começam a postar patos no meu facebook, compram patos de borracha para mim no mundo inteiro, e descobrem que também gostam de patos.
Pagar o pato, entretanto, não é uma expressão legal. Não chega a ser pejorativa, pois quem paga o pato geralmente não é culpado de nada. Não tenho a mínima ideia de onde vem a noção de que pagar por um pato é uma coisa negativa. Eu pagaria por um pato sem qualquer reserva. Já se fosse pagar uma barata, aí seria pagar mico. Bom, estou complicando esta fauna toda.
Voltemos ao foco deste texto. São Paulo, tanto a cidade, como o Estado, estão acostumados a pagar o pato. Queiram ou não, é um fato histórico. Leiam muitos livros de história e economia, e chegarão à mesma conclusão.
Não sou dado a bairrismos baratos, portanto, não me acusem de bairrista. Nem tampouco estou acusando ninguém de nada. Só estou narrando os fatos - se podiam ser previstos, não tenho a mínima ideia.
Hoje uma colunista de um jornal paulistano disse que os hoteis da cidade estão um pouco desesperados com relação à Copa do Mundo. Não precisa ser Pascal para concluir que hoje SP tem o maior parque hoteleiro do país. Não só tem o maior número de quartos, como também a melhor qualidade, tendo suplantado o Rio de Janeiro nos anos 90.
Entretanto, os hoteleiros de SP estão bastante preocupados com sua taxa de ocupação durante a realização da Copa. Enquanto no Rio de Janeiro somente há algo como 8% de quartos disponíveis, mais de 60% da capacidade de SP ainda está sem reservas! Na realidade, a cidade é, de longe, a sede da Copa na pior situação. Justo a cidade que tem melhores condições de receber turistas às pencas!
Ocorre que, durante a Copa, os executivos, que geralmente enchem a cidade, em visitas a clientes, fornecedores ou feiras, simplesmente fugiram de SP! Entre outras coisas, os preços das passagens assustam, os hoteis também estão exagerando (têm lá sua culpa os hoteleiros) e o viajante internacional já está de sobreaviso que a já cara Pauliceia provavelmente ficará mais cara ainda durante o torneio futebolístico. Os executivos não foram substituídos por hordas de torcedores, afinal de contas, a cidade sediará um número relativamente pequeno de jogos. Imagino que muita gente esteja fazendo sua base no Rio de Janeiro, convenhamos, uma cidade mais bonita do que SP.
Isso não seria tudo. Enquanto os hoteis esiverem à míngua (e os restaurantes e outra infra estrutura de atendimento provavelmente, também estarão às moscas), o Aeroporto de Cumbica provavelmente estará entupido de gente chegando e fazendo conexões para Natal, Cuiabá, Manaus, etc. Isto porque a maioria dos voos internacionais que chegam no Brasil pousam em SP, e querendo ou não, a cidade deverá ser usada de hub. O coitado do torcedor internacional que quiser seguir seu time em jogos em Manaus e depois em Porto Alegre vai sofrer. E provavelmente, passará por São Paulo.
Ou seja, o impacto econômico da Copa em SP provavelmente será negativo. Não se tratou de trocar seis por meia dúzia, e sim trocar seis por um. Um pato.
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