O que é o gol? Vem da palavra GOAL em inglês, que significa meta. Ou seja, um futebol sem gols é um futebol sem metas atingidas.
Fico feliz quando meu time marca muitos gols, principalmente durante um específico campeonato, por que atingiu metas. E foi assim com o Santos neste Campeonato Paulista, até encontrar o paredão do Ituano.
Não sou mau perdedor. Em última análise, o SFC perdeu o campeonato por que desperdiçou algumas chances nas duas partidas da final. Porém, no âmago da história, fica a vitória do futebol-paredão retranqueiro defensivo feio, sobre o futebol rápido, cheio de gols, metas atingidas. Em última análise, o Ituano foi mais eficaz do que o Santos, ficando 580 minutos sem ser vazado. O SFC até encontrar o paredão tinha uma média de 3 gols (metas) atingidos por jogo.
A meu ver, quem sabe o primeiro a repensar seu estilo de jogo, infelizmente, seja o próprio Santos. É notório que o Brasileiro é muito mais difícil do que o Paulistão, tanto é que o fenômeno Neymar nunca fez nenhuma diferença nos campeonatos brasileiros, e no ano passado os paulistas deram vexame no Nacional. Seria o fim das linhas de ataque com três jogadores, e início de meio de campo embolado com cinco, a maioria volantes e um panaca sozinho lá na frente.
Gostaria que o Santos continuasse a jogar o futebol alegre dos primeiros meses do ano, porém, me parece que inicia uma nova era no futebol brasileiro. A era da parede. Uma pena.
Como bom perdedor, meus parabéns ao Ituano. Que faça uma boa série D do campeonato nacional e volte à obscuridade nos próximos anos.
Humor, mau gosto, ou pretensão. Fica a seu critério. O mundo visto sob uma ótica diferente. A natureza deste blog é jocosa. Pode até falar sobre coisas sérias, porém, com viés humorístico. Se você não tem bom senso de humor, SAIA DAQUI IMEDIATAMENTE.
Monday, April 14, 2014
Thursday, April 10, 2014
Eu quero uma casa no campo
Quem não conhece a grande música de Zé Rodrix, interpretada de maneira tão magnífica por Elis Regina?
É bem possível que o pessoal da nova geração não conheça a música, ou não conheça a letra. De fato, é bem possível que logo a letra se torne completamente anacrônica.
Explico.
Há um trecho da canção, quem sabe, o mais conhecido e legal, que diz "onde possa levar meus amigos, meus discos e livros e nada mais". É para isso que o autor quer uma casa no campo.
Para a geração atual isto se reduziria a "onde possa levar meu tablet". Ou meu laptop ou smartphone.
Não sou avesso à modernidade. Trabalho com computadores há quase trinta anos, toco sintetizadores há 33, e meu carro é super-moderno. Estou cercado de aparelhos e softwares da hora. Minha aversão ao celular tem mais a ver com minha deficiência auditiva do que ódio à tecnologia. Não gosto de muita miniaturização por que tenho 10 de miopia, e outras "pias".
Raciocinemos. Discos já são uma coisa do passado há muito tempo. Foram substituídos por CDs. Demorei um pouco a engolir os CDs, porque, para mim, um LP era um evento. Lindas e imensas capas, encartes, sem contar o prazer de escolher na loja abarrotada de discos os álbuns que iriam consumir grande parte da minha exígua grana. Os CDs diminuíram um pouco a dimensão do evento (e dos encartes), e eventualmente a digitalização se tornou um tiro nos pés da indústria fonográfica. Hoje, lojas de CDs são poucas, e as existentes, contém pouco produto. Sim, você vai achar os lixos das Lady Gagas e Miley Cirus da vida, e basta. O prazer de mostrar uma estante cheia de LPs, ou mesmo de CDs, logo será uma coisa do passado, embora exista uma tentativa de ressuscitar os LPs. Hoje música, o consumo de música, é o consumo de arquivos digitais, seja online ou salvos no seu computador, tablet ou celular.
Livros...aqui nos Estados Unidos quase não existem mais livrarias. A Barnes and Noble, que quase monopolizou o mercado nos últimos 20 anos, agora começou a fechar suas lojas às pencas, visando competir tête-à-tête com a Amazon.com e vender pela internet. A proposta ainda é vender livros de papel, com capa, cola, e tinta. Não por muito tempo. Mais cedo, mais tarde, vão forçar a barra e fornecer a maioria dos livros somente em formato digital, algo que é facilitado pela plataforma da loja online. Sim, você ainda vai poder comprar açucarados ou bobos best-sellers nas suas versões em papel em super-mercados e farmácias, porém, o livro em papel corre o risco de ser o próximo mico-leão dourado neste país.
Os discos e livros do poema de Zé Rodrix estão se tornando quase exclusivamente digitais. Basta ter bastante memória no disco rígido, ou um bom número de pen-drives, e tudo caberá numa caixinha.
Só que até mesmo os amigos estão se tornando digitais, quase exclusivamente digitais, devidamente classificados e catalogados nas listas de contatos de celulares e aplicativos, ou em redes sociais. Sim, as pessoas ainda se reúnem (porém, quando estão juntas não param de olhar seus dispositivos de comunicação, cabe notar), mas em grande parte nossos contatos são virtuais, curtos e superficiais.
Ou seja, a ideia de um grupo de amigos se descambar para o campo, para ouvir discos e ler livros, é algo tão antiquado quanto as termas romanas! Para que tudo isso, crie-se um APP legal, todo mundo se reune num chat e compartilha arquivos digitais, e ninguém tem que sair de casa!!!
Ainda bem que o Zé - e a Elis - se foram antes de ver esse dia chegar.
É bem possível que o pessoal da nova geração não conheça a música, ou não conheça a letra. De fato, é bem possível que logo a letra se torne completamente anacrônica.
Explico.
Há um trecho da canção, quem sabe, o mais conhecido e legal, que diz "onde possa levar meus amigos, meus discos e livros e nada mais". É para isso que o autor quer uma casa no campo.
Para a geração atual isto se reduziria a "onde possa levar meu tablet". Ou meu laptop ou smartphone.
Não sou avesso à modernidade. Trabalho com computadores há quase trinta anos, toco sintetizadores há 33, e meu carro é super-moderno. Estou cercado de aparelhos e softwares da hora. Minha aversão ao celular tem mais a ver com minha deficiência auditiva do que ódio à tecnologia. Não gosto de muita miniaturização por que tenho 10 de miopia, e outras "pias".
Raciocinemos. Discos já são uma coisa do passado há muito tempo. Foram substituídos por CDs. Demorei um pouco a engolir os CDs, porque, para mim, um LP era um evento. Lindas e imensas capas, encartes, sem contar o prazer de escolher na loja abarrotada de discos os álbuns que iriam consumir grande parte da minha exígua grana. Os CDs diminuíram um pouco a dimensão do evento (e dos encartes), e eventualmente a digitalização se tornou um tiro nos pés da indústria fonográfica. Hoje, lojas de CDs são poucas, e as existentes, contém pouco produto. Sim, você vai achar os lixos das Lady Gagas e Miley Cirus da vida, e basta. O prazer de mostrar uma estante cheia de LPs, ou mesmo de CDs, logo será uma coisa do passado, embora exista uma tentativa de ressuscitar os LPs. Hoje música, o consumo de música, é o consumo de arquivos digitais, seja online ou salvos no seu computador, tablet ou celular.
Livros...aqui nos Estados Unidos quase não existem mais livrarias. A Barnes and Noble, que quase monopolizou o mercado nos últimos 20 anos, agora começou a fechar suas lojas às pencas, visando competir tête-à-tête com a Amazon.com e vender pela internet. A proposta ainda é vender livros de papel, com capa, cola, e tinta. Não por muito tempo. Mais cedo, mais tarde, vão forçar a barra e fornecer a maioria dos livros somente em formato digital, algo que é facilitado pela plataforma da loja online. Sim, você ainda vai poder comprar açucarados ou bobos best-sellers nas suas versões em papel em super-mercados e farmácias, porém, o livro em papel corre o risco de ser o próximo mico-leão dourado neste país.
Os discos e livros do poema de Zé Rodrix estão se tornando quase exclusivamente digitais. Basta ter bastante memória no disco rígido, ou um bom número de pen-drives, e tudo caberá numa caixinha.
Só que até mesmo os amigos estão se tornando digitais, quase exclusivamente digitais, devidamente classificados e catalogados nas listas de contatos de celulares e aplicativos, ou em redes sociais. Sim, as pessoas ainda se reúnem (porém, quando estão juntas não param de olhar seus dispositivos de comunicação, cabe notar), mas em grande parte nossos contatos são virtuais, curtos e superficiais.
Ou seja, a ideia de um grupo de amigos se descambar para o campo, para ouvir discos e ler livros, é algo tão antiquado quanto as termas romanas! Para que tudo isso, crie-se um APP legal, todo mundo se reune num chat e compartilha arquivos digitais, e ninguém tem que sair de casa!!!
Ainda bem que o Zé - e a Elis - se foram antes de ver esse dia chegar.
Thursday, April 3, 2014
Jaroleta
Considere a
palavra badalhoca. Segundo um amigo, jornalista de mão cheia e autor de um
livro de crônicas, o vocábulo significa algo assim como tranqueira. De fato, a
palavra, de tão relevante, inspirou até uma crônica homônima. Já para outra
pessoa, tão confiável quanto o escritor, badalhoca significaria aquele resíduo
sólido que insiste em permanecer no término da cavidade retal, mesmo após
criteriosa limpeza mecânica. Convenhamos, são duas definições bastante díspares
e confundir uma badalhoca pode trazer sérios distúrbios à saúde.
Quanto à
jaroleta, ouse perguntar ao google. O sabichão do mundo virtual não retorna
sequer uma instância desta palavra no nosso idioma. Nota: pronuncia-se
jaroleta com “r” curto, e não dois “rr”. Entretanto, nos idos de 1974, surgiu verbalmente
a jaroleta brasileira entre o nosso meio, os estudantes da oitava série do Colégio Macedo
Soares em São Paulo, ao mesmo tempo em que se popularizava a palavra “panaca”,
esta sim bastante difundida, embora um tanto boco-moca hoje em dia.
De uma
coisa sei. Apesar de progidiosa criatividade, não fui eu o autor do termo no vernáculo. Além
de arranjar apelidos para os colegas, naquela altura das coisas já tinha criado
diversos países, um continente, centenas de pilotos, marcas de carros e
empresas dos mais diversos setores, canais de televisão, times de futebol,
cantores e músicos no meu próprio universo, além de compor diversas músicas,
com começo, fim e meio. Até um mini samba-enredo. Criatividade com uma propensão ao detalhe não
me faltava, porém não fui eu o pai da jaroleta, que fique claro.
Tampouco
sei o que significava. Alguns podem atribuir ao sonoro e silábico termo um
significado fálico. Outros, mera interjeição. Porém, tinha lá a jaroleta algo de proibido, como muitas coisas
eram no País. Parece-me,
entretanto, que era um substantivo de significado assaz obscuro, mas certamente
não era uma conjugação do verbo jaroletar, nem tampouco um adjetivo. Não era um
nome próprio também. Mas a jaroleta entusiasmava a nossa imaginação.
Alguns
filósofos gregos julgavam que palavras tinham vida própria, e vinham ao mundo
captadas, descobertas por mentes iluminadas – advinhou, filósofos. Já eram
corporativistas os platões de plantão, certamente teriam criado fartas pensões
para eles mesmos, se pudessem. Certamente acho isto um exagero, principalmente
num mundo em que neologismos e bordões dão à luz às pencas. Quem criou a
jaroleta, portanto, não deve ter sido um gênio, porém, merece crédito. Sua criação
não pode ficar fora do universo virtual.
Não sei se
algum antigo colega vai se lembrar da pseudo-elocução. Quem sabe, alguém até
possa assumir a paternidade da expressão, com um orgulho alqaedista.
Para mim,
resta somente fazer jus a esta simpática palavra, que um dia foi criada,
repetida algumas vezes, teve uma existência efêmera e logo morreu uma morte pene-latina. Digo isso por que
não teve a oportunidade de influenciar algumas dezenas de idiomas. Homenageio
aqui a imaginação de um colega, provavelmente, próximo, que pariu a jaroleta.
Viva a jaroleta.
Monday, March 10, 2014
O muro de Berlim realmente caiu?
A grande vitória de Ronald Reagan teria sido a queda do Muro de Berlim. Com este evento, selava-se a vitória definitiva do capitalismo sobre o comunismo.
De fato, desde então as duas Alemanhas se tornaram uma, os países satélite do Leste Europeu e a Polônia saíram do comunismo, e houve o desmantelamento da União Soviética. As repúblicas que formavam o império tornaram-se independentes da Rússia, que, ainda assim continuou a ser o maior país do mundo.
A Rússia meio que se tornou capitalista. Diversas empresas outrora estatais terminaram em mãos semi-privadas. Digo semi-privadas porque muitos dos novos donos da bola da era "capitalista" russa, já eram donos da bola na fase comunista. E o partidão ainda manda por lá.
Quanto à vitória do capitalismo sobre o comunismo, cabe lembrar que o país que mais cresce no mundo, a China, ainda é comunista! Sim, adotaram algumas estratégias e técnicas capitalistas, mas na essência ainda é uma economia central, com rígido controle de mídia, povo, etc. A diferença é que no caso da China, o setor privado terminou, em grande parte, nas mãos de competentes, no caso da Rússia de poderosos, não necessariamente competentes. Por isso a China cresce cada vez mais, e a Rússia procura seu papel no mundo, que não seja o de fornecedora de matérias primas como petróleo e minerais.
Ocorre que na mente dos russos, a União Soviética pode ter acabado, porém, os ex-países que a compunham, inclusive diversos -istão, Ucrânia, etc, ainda fazem parte senão da sua unidade geopolítica, da sua área de direto controle ou influência. Por isso, de vez em quando há problemas na Georgia, Chechnia, e agora na Ucrânia, e a Rússia intervém nestes países "independentes" como se ainda fossem parte da URSS.
Parece claro que na cabeça dos russos - e quem sabe dos próprios ex-países satélite - a União Soviética acabou no nome, foi simplesmente substituída por uma versão mais light, mas ainda existe.
A libertação dos países do Leste Europeu tem sido festejada há anos, porém, não precisa ser Einstein para entender que de uma forma ou outra, estes ex-países comunistas criam certos desequilíbrios econômicos no resto da Europa, na Europa Ocidental.
Quanto ao comunismo, está longe de ser morto. A dicotomia ideológica existente nos anos 50 e 60 não é tão poderosa hoje, porém, ainda existe e cria problemas para ambos os lados da moeda.
O muro físico pode ter caído, mas o muro metafísico ainda continua. E como continua.
De fato, desde então as duas Alemanhas se tornaram uma, os países satélite do Leste Europeu e a Polônia saíram do comunismo, e houve o desmantelamento da União Soviética. As repúblicas que formavam o império tornaram-se independentes da Rússia, que, ainda assim continuou a ser o maior país do mundo.
A Rússia meio que se tornou capitalista. Diversas empresas outrora estatais terminaram em mãos semi-privadas. Digo semi-privadas porque muitos dos novos donos da bola da era "capitalista" russa, já eram donos da bola na fase comunista. E o partidão ainda manda por lá.
Quanto à vitória do capitalismo sobre o comunismo, cabe lembrar que o país que mais cresce no mundo, a China, ainda é comunista! Sim, adotaram algumas estratégias e técnicas capitalistas, mas na essência ainda é uma economia central, com rígido controle de mídia, povo, etc. A diferença é que no caso da China, o setor privado terminou, em grande parte, nas mãos de competentes, no caso da Rússia de poderosos, não necessariamente competentes. Por isso a China cresce cada vez mais, e a Rússia procura seu papel no mundo, que não seja o de fornecedora de matérias primas como petróleo e minerais.
Ocorre que na mente dos russos, a União Soviética pode ter acabado, porém, os ex-países que a compunham, inclusive diversos -istão, Ucrânia, etc, ainda fazem parte senão da sua unidade geopolítica, da sua área de direto controle ou influência. Por isso, de vez em quando há problemas na Georgia, Chechnia, e agora na Ucrânia, e a Rússia intervém nestes países "independentes" como se ainda fossem parte da URSS.
Parece claro que na cabeça dos russos - e quem sabe dos próprios ex-países satélite - a União Soviética acabou no nome, foi simplesmente substituída por uma versão mais light, mas ainda existe.
A libertação dos países do Leste Europeu tem sido festejada há anos, porém, não precisa ser Einstein para entender que de uma forma ou outra, estes ex-países comunistas criam certos desequilíbrios econômicos no resto da Europa, na Europa Ocidental.
Quanto ao comunismo, está longe de ser morto. A dicotomia ideológica existente nos anos 50 e 60 não é tão poderosa hoje, porém, ainda existe e cria problemas para ambos os lados da moeda.
O muro físico pode ter caído, mas o muro metafísico ainda continua. E como continua.
Saturday, February 22, 2014
Aquele que muito puxa, mais cedo, mais tarde, muito enche
Se você ainda não descobriu do que se trata, esta frase, humildemente concebida por mim, se refere a bajuladores. Portanto, depois de puxa e enche vem uma outra palavra, um substantivo. Não se trata de uma mera equação entre verbos. Use a imaginação.
Entre os comportamentos humanos patológicos, a bajulação está na minha lista entre os mais desprezíveis, pois geralmente vem acompanhado de uma série de outros comportamentos tão ruins ou piores, como a falsidade, traição, egoísmo, etc.
Por trás de cada elogio demasiadamente exagerado e mal colocado de um bajulador, vem um preço, que é devidamente registrado no livrinho mental do bajulador. Um dia, mais cedo, mais tarde, vem a cobrança, e a encheção começa. Em outras palavras, os elaborados elogios do bajulador se escondem por trás de um objetivo, sempre egoísta. Ele sempre quer algo do objeto da sua "admiração" excessiva.
Tomo a liberdade de imaginar que entre os grandes bajuladores da história da humanidade encontra-se um certo Judas Iscariotes. Não há lugar algum na Bíblia que diga isso, porém, é fácil imaginar que Judas, que acabou sendo mais conhecido pela personificação da traição, era um bajulador de marca maior. E tinha seus objetivos, que ao serem desafiados, abriram o caminho para sua magnum opus.
É fácil ver traços da personalidade de alguns discípulos de Jesus. Pedro era belicoso, cabeça dura, gostava de discutir. Tomé cheio de dúvidas, queria provas para tudo. Filipe era prático, Mateus lógico, João, amoroso. Os traços da personalidade de Judas Iscariotes me levam à conclusão de que era um bajulador.
De Judas, sabemos que era ele que cuidava da grana. Não só cuidava, como metia a mão de vez em quando. Como não era muito dinheiro, um belo dia Judas ficou injuriado quando um vidro de caríssimo perfume foi gasto para ungir Jesus. Para justificar sua indignação, quis dizer que o dinheiro do perfume poderia ser melhor usado em benefício dos pobres, se tivesse sido doado para o caixa sob seus cuidados. Na realidade, preocupava-se que a farta quantia estaria fora do seu controle, e não com os pobres. Foi aí que Judas decidiu que era hora de vender o seu bem mais valioso, o acesso pessoal a Jesus.
Como bom bajulador, Judas era dissimulado. Assim, quando Jesus declarou que um deles o trairia, Judas teve o descaramento de perguntar se era ele!!! Não só isso, quando o entregou às autoridades, Judas beijou Jesus na face para mostrar aos guardas quem deveria ser preso. De memória, acho que é o único beijo dado em Jesus por um dos apóstolos.
Ou seja, Judas era egoísta, tinha falsos motivos e ambições, era dissimulado, falso, e traidor. Todas marcas do bajulador de mão cheia que tenho encontrado nos meus 53 anos de vida. Isto me leva a crer que dentro do seu modus operandi estava a bajulação.
Um dia, o bajulador trai o bajulado, quando seus objetivos não são mais atingidos.
Não é à toa que a bajulação corre solta no mundo da política, dos altos negócios, das artes, de fato, em todo ambiente em que haja muito dinheiro, fama e poder.
Portanto, sempre que alguém te bajular, tome cuidado. A traição pode não estar distante.
Entre os comportamentos humanos patológicos, a bajulação está na minha lista entre os mais desprezíveis, pois geralmente vem acompanhado de uma série de outros comportamentos tão ruins ou piores, como a falsidade, traição, egoísmo, etc.
Por trás de cada elogio demasiadamente exagerado e mal colocado de um bajulador, vem um preço, que é devidamente registrado no livrinho mental do bajulador. Um dia, mais cedo, mais tarde, vem a cobrança, e a encheção começa. Em outras palavras, os elaborados elogios do bajulador se escondem por trás de um objetivo, sempre egoísta. Ele sempre quer algo do objeto da sua "admiração" excessiva.
Tomo a liberdade de imaginar que entre os grandes bajuladores da história da humanidade encontra-se um certo Judas Iscariotes. Não há lugar algum na Bíblia que diga isso, porém, é fácil imaginar que Judas, que acabou sendo mais conhecido pela personificação da traição, era um bajulador de marca maior. E tinha seus objetivos, que ao serem desafiados, abriram o caminho para sua magnum opus.
É fácil ver traços da personalidade de alguns discípulos de Jesus. Pedro era belicoso, cabeça dura, gostava de discutir. Tomé cheio de dúvidas, queria provas para tudo. Filipe era prático, Mateus lógico, João, amoroso. Os traços da personalidade de Judas Iscariotes me levam à conclusão de que era um bajulador.
De Judas, sabemos que era ele que cuidava da grana. Não só cuidava, como metia a mão de vez em quando. Como não era muito dinheiro, um belo dia Judas ficou injuriado quando um vidro de caríssimo perfume foi gasto para ungir Jesus. Para justificar sua indignação, quis dizer que o dinheiro do perfume poderia ser melhor usado em benefício dos pobres, se tivesse sido doado para o caixa sob seus cuidados. Na realidade, preocupava-se que a farta quantia estaria fora do seu controle, e não com os pobres. Foi aí que Judas decidiu que era hora de vender o seu bem mais valioso, o acesso pessoal a Jesus.
Como bom bajulador, Judas era dissimulado. Assim, quando Jesus declarou que um deles o trairia, Judas teve o descaramento de perguntar se era ele!!! Não só isso, quando o entregou às autoridades, Judas beijou Jesus na face para mostrar aos guardas quem deveria ser preso. De memória, acho que é o único beijo dado em Jesus por um dos apóstolos.
Ou seja, Judas era egoísta, tinha falsos motivos e ambições, era dissimulado, falso, e traidor. Todas marcas do bajulador de mão cheia que tenho encontrado nos meus 53 anos de vida. Isto me leva a crer que dentro do seu modus operandi estava a bajulação.
Um dia, o bajulador trai o bajulado, quando seus objetivos não são mais atingidos.
Não é à toa que a bajulação corre solta no mundo da política, dos altos negócios, das artes, de fato, em todo ambiente em que haja muito dinheiro, fama e poder.
Portanto, sempre que alguém te bajular, tome cuidado. A traição pode não estar distante.
Monday, February 17, 2014
As pressões desta era
Francamente, não vejo muita vantagem em viver além dos cem anos de idade. Muita gente hoje comemora isto, a extensão da longevidade, como uma conquista da ciência médica, porém, convém lembrar que como sempre ocorre nas últimas décadas, a lerda sociedade não acompanha o ritmo da ciência.
Hoje tenho 53, portanto, ainda faltariam 47 anos para chegar na idade mágica. Tenho dez graus de miopia e problemas auditivos nos dois ouvidos, portanto, salvo se a ciência médica colaborar, com a proverbial ajuda do bolso, teria uma velhice um tanto desprovida de benefícios sensoriais. E sabe-se lá o que mais.
Voltemos ao bolso. Provavelmente consigo trabalhar num ritmo próximo do meu atual até os 75 anos. Ou seja, teria uns 25 anos para desfrutar de descanso bem merecido. Agora, quem pagaria a conta da minha aposentadoria? Seria descanso mesmo, ou aporrinhação ad extremis?
Do jeito que estão indo as coisas, as aposentadorias públicas, se ainda existirem daqui há uma duas décadas, estarão bastante desprovidas do seu valor integral e serão pagas meio à toque de caixa, mais desvalorizadas do que o nosso surreal real. Certamente não vão dar para comprar muita coisa, se não forem completamente aniquiladas por algum governo banzai. Sendo assim, teria que viver, sem trabalhar (ou trabalhando pouco), da pouca aposentadoria e economias ganhas durante meus anos produtivos. Coitado de mim.
É bem possível que ocorra algum bom incidente de percurso, e de repente, possa desfrutar da idade de ouro, e não de idade de ourina. Porém, é preciso ser realista, acima de tudo. E a realidade é sombria, não só para mim, como para grande parte da humanidade.
Sim, a medicina alongou a expectativa de vida das pessoas, porém, embora muitas pessoas estejam durando até 100 e pouco, a grande maioria ainda continua bastante debilitada ao chegar nos 70 e poucos anos. A medicina não conseguiu aumentar tanto assim o vigor dos idosos. Há excessões, porém excessões sempre existiram, até na insalubre Idade Média. A esmagadora maioria não tem condições de trabalhar ao se tornar octogenário, e assim, tem que viver do que sobrou.
Outra coisa. A herança tem sido, há séculos, um dos maior propulsores de expansão econômica do mundo. Um bom empreendedor consegue multiplicar seu quinhão muitas vezes. Sim, há os gastões, que aniquilam verdadeiras fortunas em alguns anos. Porém, muitos dos self-made man do mundo na realidade, tiveram uma nada insubstancial ajuda de um imóvel aqui, uma fazenda acolá, e montaram seus impérios assim. O folclore nos diz que saíram do nada, porém, do nada não saíram. Oras, o que vai ocorrer quando as heranças começarem a ser herdadas, no atacado, por senhores de 70 anos, já sem o vigor para montar impérios? Parece cruel falar sobre este assunto, porém, não estou querendo ganhar concursos de popularidade com este post ou este blog.
E há outras pressões. Pressão para obter níveis cada vez mais altos de educação, que significa ficar mais tempo na escola e entrar mais tarde no mercado de trabalho, e ao mesmo tempo pressão para se aposentar mais cedo, pois todos sonham em se aposentar mais cedo! A relação entre aposentados e contribuintes é crítica em diversos países, em grande parte por que os países trataram seus sistemas de seguro social como esquemas de Ponzi, e não deveria ser assim. Até o Brasil, sempre conhecido como um país de "jovens", será um país com muitos idosos daqui uns 20 e poucos anos, com cada vez menos jovens contribuindo.
Ou seja, há tanta coisa a festejar assim?
Esqueçamos os sistemas de aposentadoria oficiais, e concentremo-nos nos fundos de pensão. Estes administram verdadeiras fortunas, e estão, assim como todo mundo, em busca de investimentos que valham a pena. Sendo assim, trilhões de dólares são investidos por fundos de pensão em empresas de capital aberto e private equity no mundo inteiro. Estes fundos de pensão não querem ser acionistas só por causa da valorização ou prestígio das ações - buscam ganhos em forma de dividendos, e na realidade, forçam as empresas a dar lucros às vezes irreais, pois os fundos precisam de grana para pagar seus pensionistas, cada vez mais bufunfa. Sendo assim, estes fundos frequentemente forçam estas empresas a dar cada vez mais lucro, e um dos artfícios administrativos mais frequentemente usados é a dispensa de milhares e milhares de funcionários, a temível redução do overhead ou downsizing. Ou seja, paradoxalmente, os fundos, que visam proteger o futuro dos seus milhares contribuintes, achatam a realidade de outros milhares de pessoas, em diversos países. Sendo que os prejudicados são sempre mais do que os beneficiados.
Há também a questão saúde. Vivo no país que se orgulha de ter o melhor sistema de saúde do mundo. Disso não sei. Verdade que muitos dos melhores hospitais do mundo cá estão, porém, até dizer que o sistema como um todo é bom, acho prá lá de otimista. Uma recente resenha dos 50 melhores hospitais americanos, em dezenas de categorias, revelou uma triste realidade. Dos 4900 e poucos hospitais classificados, somente 130 e pouco foram incluídos no top 50 em uma ou outra categoria. Ou seja, cair num hospital rural em South Dakota ou em Detroit pode ser tão perigoso quanto ser tratado em um hospital mediano brasileiro.
Sem contar que aqui qualquer médico meia boca se acha qualificado para cobrar 300 dólares ou mais por uma consulteca de 10 minutos. Isto depois de ter passado três horas na sala de espera cheia. E depois os médicos dizem que não estão ganhando grana. Não entendo muito bem essa equação...
Voltemos ao fulcro da questão. Mesmo vivendo até os 100 anos, muita gente idosa dobra o Cabo da Boa Esperança aos 80 e pouco. Isto se for de uma classe social mais abastada, pois os mais pobres, se chegarem aos 80, passarão anos terríveis.
Hospitais como lugares de cura são uma coisa nova na história da humanidade. Não é coincidência que até recentemente, a maioria das pessoas nascia em casa, pois hospitais eram lugares onde o gajo ia morrer, nas casas, nasciam. Os hospitais eram os purgatórios dos cemitérios. Sim, hoje em dia a medicina fez muitos avanços, porém, a partir de uma certa idade, a pessoa é mantida viva quase sem nenhuma dignidade. Enquanto isso, os bolsos dos profissionais da saúde, e dos hospitais e laboratórios, engordam. O sistema, me parece, ainda é bastante darwiniano. Que morram os mais pobres mais rapidamente, assim deixam de onerar o governo com suas aposentadorias e seguros saúde!
Muito tem se falado sobre o tal Obamacare. Pessoalmente, até agora foi um desapontamento para mim, com certeza porque as seguradoras têm gente muito esperta trabalhando para elas, que souberam fazer a coisa. Meu seguro, que cobre duas pessoas, me custa a bagatela de US$1,057.00 por mês. E só paga o primeiro centavo de cobertura a partir dos primeiros 12.000 dólares de gastos acumulados, por ano. Sim, esta é a bela franquia, 12.000 dólares acumulados! Dado o histórico e saúde meu e de minha esposa (nunca chegamos perto de gastar isso num único ano), provavelmente vai demorar algum tempo para eu sentir um real benefício. E tudo isso, aparentemente, é legal. Juridicamente legal, óbvio.
Temos as pressões da globalização, da futura falta de água fresca, ao mesmo tempo em que aumentará o nível da água salgada dos mares. Ou seja, melhor já ir comprando um lugarzim na montanha, ou nos planaltos, pois as praias sumirão em 30, 40 anos, dizem uns. Uns também dizem que estamos com aumento global de temperatura, outros, que estamos numa pequena era glacial! Sem contar que os chineses podem resolver pular todos ao mesmo tempo e fazer o planeta tremer, e existe sempre a simpática ameaça dos raios gama solares atingirem a Terra e fritar nossos aparelhos cibernéticos, etc. E do Fidel Castro ainda viver mais uns 40 anos.
Enfim, não vejo com olhos muito otimistas o mundo em 2060, quanto atingir a tal idade mágica. Para mim, a vida centenária me parece uma roubada, e de mágica, nada tem.
Hoje tenho 53, portanto, ainda faltariam 47 anos para chegar na idade mágica. Tenho dez graus de miopia e problemas auditivos nos dois ouvidos, portanto, salvo se a ciência médica colaborar, com a proverbial ajuda do bolso, teria uma velhice um tanto desprovida de benefícios sensoriais. E sabe-se lá o que mais.
Voltemos ao bolso. Provavelmente consigo trabalhar num ritmo próximo do meu atual até os 75 anos. Ou seja, teria uns 25 anos para desfrutar de descanso bem merecido. Agora, quem pagaria a conta da minha aposentadoria? Seria descanso mesmo, ou aporrinhação ad extremis?
Do jeito que estão indo as coisas, as aposentadorias públicas, se ainda existirem daqui há uma duas décadas, estarão bastante desprovidas do seu valor integral e serão pagas meio à toque de caixa, mais desvalorizadas do que o nosso surreal real. Certamente não vão dar para comprar muita coisa, se não forem completamente aniquiladas por algum governo banzai. Sendo assim, teria que viver, sem trabalhar (ou trabalhando pouco), da pouca aposentadoria e economias ganhas durante meus anos produtivos. Coitado de mim.
É bem possível que ocorra algum bom incidente de percurso, e de repente, possa desfrutar da idade de ouro, e não de idade de ourina. Porém, é preciso ser realista, acima de tudo. E a realidade é sombria, não só para mim, como para grande parte da humanidade.
Sim, a medicina alongou a expectativa de vida das pessoas, porém, embora muitas pessoas estejam durando até 100 e pouco, a grande maioria ainda continua bastante debilitada ao chegar nos 70 e poucos anos. A medicina não conseguiu aumentar tanto assim o vigor dos idosos. Há excessões, porém excessões sempre existiram, até na insalubre Idade Média. A esmagadora maioria não tem condições de trabalhar ao se tornar octogenário, e assim, tem que viver do que sobrou.
Outra coisa. A herança tem sido, há séculos, um dos maior propulsores de expansão econômica do mundo. Um bom empreendedor consegue multiplicar seu quinhão muitas vezes. Sim, há os gastões, que aniquilam verdadeiras fortunas em alguns anos. Porém, muitos dos self-made man do mundo na realidade, tiveram uma nada insubstancial ajuda de um imóvel aqui, uma fazenda acolá, e montaram seus impérios assim. O folclore nos diz que saíram do nada, porém, do nada não saíram. Oras, o que vai ocorrer quando as heranças começarem a ser herdadas, no atacado, por senhores de 70 anos, já sem o vigor para montar impérios? Parece cruel falar sobre este assunto, porém, não estou querendo ganhar concursos de popularidade com este post ou este blog.
E há outras pressões. Pressão para obter níveis cada vez mais altos de educação, que significa ficar mais tempo na escola e entrar mais tarde no mercado de trabalho, e ao mesmo tempo pressão para se aposentar mais cedo, pois todos sonham em se aposentar mais cedo! A relação entre aposentados e contribuintes é crítica em diversos países, em grande parte por que os países trataram seus sistemas de seguro social como esquemas de Ponzi, e não deveria ser assim. Até o Brasil, sempre conhecido como um país de "jovens", será um país com muitos idosos daqui uns 20 e poucos anos, com cada vez menos jovens contribuindo.
Ou seja, há tanta coisa a festejar assim?
Esqueçamos os sistemas de aposentadoria oficiais, e concentremo-nos nos fundos de pensão. Estes administram verdadeiras fortunas, e estão, assim como todo mundo, em busca de investimentos que valham a pena. Sendo assim, trilhões de dólares são investidos por fundos de pensão em empresas de capital aberto e private equity no mundo inteiro. Estes fundos de pensão não querem ser acionistas só por causa da valorização ou prestígio das ações - buscam ganhos em forma de dividendos, e na realidade, forçam as empresas a dar lucros às vezes irreais, pois os fundos precisam de grana para pagar seus pensionistas, cada vez mais bufunfa. Sendo assim, estes fundos frequentemente forçam estas empresas a dar cada vez mais lucro, e um dos artfícios administrativos mais frequentemente usados é a dispensa de milhares e milhares de funcionários, a temível redução do overhead ou downsizing. Ou seja, paradoxalmente, os fundos, que visam proteger o futuro dos seus milhares contribuintes, achatam a realidade de outros milhares de pessoas, em diversos países. Sendo que os prejudicados são sempre mais do que os beneficiados.
Há também a questão saúde. Vivo no país que se orgulha de ter o melhor sistema de saúde do mundo. Disso não sei. Verdade que muitos dos melhores hospitais do mundo cá estão, porém, até dizer que o sistema como um todo é bom, acho prá lá de otimista. Uma recente resenha dos 50 melhores hospitais americanos, em dezenas de categorias, revelou uma triste realidade. Dos 4900 e poucos hospitais classificados, somente 130 e pouco foram incluídos no top 50 em uma ou outra categoria. Ou seja, cair num hospital rural em South Dakota ou em Detroit pode ser tão perigoso quanto ser tratado em um hospital mediano brasileiro.
Sem contar que aqui qualquer médico meia boca se acha qualificado para cobrar 300 dólares ou mais por uma consulteca de 10 minutos. Isto depois de ter passado três horas na sala de espera cheia. E depois os médicos dizem que não estão ganhando grana. Não entendo muito bem essa equação...
Voltemos ao fulcro da questão. Mesmo vivendo até os 100 anos, muita gente idosa dobra o Cabo da Boa Esperança aos 80 e pouco. Isto se for de uma classe social mais abastada, pois os mais pobres, se chegarem aos 80, passarão anos terríveis.
Hospitais como lugares de cura são uma coisa nova na história da humanidade. Não é coincidência que até recentemente, a maioria das pessoas nascia em casa, pois hospitais eram lugares onde o gajo ia morrer, nas casas, nasciam. Os hospitais eram os purgatórios dos cemitérios. Sim, hoje em dia a medicina fez muitos avanços, porém, a partir de uma certa idade, a pessoa é mantida viva quase sem nenhuma dignidade. Enquanto isso, os bolsos dos profissionais da saúde, e dos hospitais e laboratórios, engordam. O sistema, me parece, ainda é bastante darwiniano. Que morram os mais pobres mais rapidamente, assim deixam de onerar o governo com suas aposentadorias e seguros saúde!
Muito tem se falado sobre o tal Obamacare. Pessoalmente, até agora foi um desapontamento para mim, com certeza porque as seguradoras têm gente muito esperta trabalhando para elas, que souberam fazer a coisa. Meu seguro, que cobre duas pessoas, me custa a bagatela de US$1,057.00 por mês. E só paga o primeiro centavo de cobertura a partir dos primeiros 12.000 dólares de gastos acumulados, por ano. Sim, esta é a bela franquia, 12.000 dólares acumulados! Dado o histórico e saúde meu e de minha esposa (nunca chegamos perto de gastar isso num único ano), provavelmente vai demorar algum tempo para eu sentir um real benefício. E tudo isso, aparentemente, é legal. Juridicamente legal, óbvio.
Temos as pressões da globalização, da futura falta de água fresca, ao mesmo tempo em que aumentará o nível da água salgada dos mares. Ou seja, melhor já ir comprando um lugarzim na montanha, ou nos planaltos, pois as praias sumirão em 30, 40 anos, dizem uns. Uns também dizem que estamos com aumento global de temperatura, outros, que estamos numa pequena era glacial! Sem contar que os chineses podem resolver pular todos ao mesmo tempo e fazer o planeta tremer, e existe sempre a simpática ameaça dos raios gama solares atingirem a Terra e fritar nossos aparelhos cibernéticos, etc. E do Fidel Castro ainda viver mais uns 40 anos.
Enfim, não vejo com olhos muito otimistas o mundo em 2060, quanto atingir a tal idade mágica. Para mim, a vida centenária me parece uma roubada, e de mágica, nada tem.
Saturday, February 15, 2014
O mundo e seus falsos - e verdadeiros - pioneiros e inventores
O mundo dos negócios está repleto de herois, como Bill Gates e Steve Jobs, considerados pelas massas como verdadeiros inventores, a la Edson, de coisas como o sistema operacional DOS e o iPhone. Não há dúvidas que por trás de tanto heroísmo existe muito exagero. Não vou dizer armação, pois acredito que o povo pensa o que pensa por que é, acima de tudo, bobo, ingênuo e mal informado.
Há muito que não existem mais inventores, pelo menos de itens complexos, no esquema do grande e prolífico Edson. As últimas grandes invenções são geralmente fruto de centenas, senão milhares de horas de pensamento e testes efetuados por dezenas, ás vezes mais, profissionais trabalhando em conjunto, com investimentos de milhões. Quase tudo relevante é feito ou aperfeiçoado por comitê.
Sendo assim, engolimos a mentira de que Gates inventou o Dos, quando na realidade, comprou esta programação básica do seu inventor há mais de trinta anos atrás. Teve o mérito de ter a visão, e também, de ter acesso à grana, e muita sorte aliada à competência. Daí soube continuar a investir, expandir, proteger-se, acabar com concorrentes e tornou a Microsoft no fenômeno atual. Não tenho ideia se sabe ou não programar um computador, porém, o certo é que não inventou o DOS que lhe trouxe tanta fortuna.
Assim é que Jobs não inventou iPhones, ipods, ipads, etc. Sim, em última análise foi um grande gênio de marketing, soube como colocar estes produtos no mercado, porém, é preciso ter muita ingenuidade para achar que os produtos da empresa que geriu (e da qual se afastou) durante muitos anos eram gerados por diversas horas passadas por Steve em laboratório, ou mesmo concebido.
Quando era garoto, logo me apaixonei por corridas de carro. Como muitos meninos com ávida imaginação, tinha meus próprios países e continentes, e neles, cidades, personagens, empresas e campeonatos de automobilismo. Cresci no Brasil, nos anos 60 e 70, quando as emissoras de TV, mesmo em São Paulo, não passavam de seis. Ou seja, ninguém pensava na época em TV segmentada. Pois no meu continente tinha, a TV dos Carros, emissora que transmitia somente corridas de carro, nada mais.
Eventualmente, quando a TV a cabo estourou, e a tecnologia permitiu a expansão do número de canais, começaram a surgir canais de todos os tipos. Nos EUA, surgiu o Speed Channel, cuja proposta inicial era idêntica à da minha TV dos Carros. Sou gênio? Não, óbvio, só tinha muita imaginação. e certamente, nunca tive acesso a grana para lançar um canal de TV.
Falando em TV, nos últimos dez anos surgiu o fenômeno da Reality TV. Alguns dizem que foi o BBB original, o tal holandês, a criar o gênero, outros que foram os canais segmentados, ou outros antigos programas desconhecidos que não vingaram. Atualmente, aqui nos EUA, você pode assistir a dúzias de programas sobre a realidade do dia a dia de prostitutas, advogados, operadores de empresas de guincho, policiais, médicos, enfermeiros, etc.
Curiosamente, ao ler um exemplar recente da revista em quadrinhos "Disney Anni d`Oro", uma das revistas do grupo Disney editadas na Itália, me choquei ao descobrir que uma historinha com o Pato Donald, publicada na revista Topolino n. 1388, de 1982, descreve exatamente o que viriam a ser os reality shows de um futuro próximo. Na história "Paperino e la Serie Televisiva" (não sei se foi ou não editada no Brasil) um diretor de TV vê o Pato Donald sofrendo com sua vida, e decide fazer um "reality" com o pato. Não vou contar o resto da história, exceto que o tal show foi ao ar, e virou um grande sucesso, e um belo dia...
Quem diria...
Há muito que não existem mais inventores, pelo menos de itens complexos, no esquema do grande e prolífico Edson. As últimas grandes invenções são geralmente fruto de centenas, senão milhares de horas de pensamento e testes efetuados por dezenas, ás vezes mais, profissionais trabalhando em conjunto, com investimentos de milhões. Quase tudo relevante é feito ou aperfeiçoado por comitê.
Sendo assim, engolimos a mentira de que Gates inventou o Dos, quando na realidade, comprou esta programação básica do seu inventor há mais de trinta anos atrás. Teve o mérito de ter a visão, e também, de ter acesso à grana, e muita sorte aliada à competência. Daí soube continuar a investir, expandir, proteger-se, acabar com concorrentes e tornou a Microsoft no fenômeno atual. Não tenho ideia se sabe ou não programar um computador, porém, o certo é que não inventou o DOS que lhe trouxe tanta fortuna.
Assim é que Jobs não inventou iPhones, ipods, ipads, etc. Sim, em última análise foi um grande gênio de marketing, soube como colocar estes produtos no mercado, porém, é preciso ter muita ingenuidade para achar que os produtos da empresa que geriu (e da qual se afastou) durante muitos anos eram gerados por diversas horas passadas por Steve em laboratório, ou mesmo concebido.
Quando era garoto, logo me apaixonei por corridas de carro. Como muitos meninos com ávida imaginação, tinha meus próprios países e continentes, e neles, cidades, personagens, empresas e campeonatos de automobilismo. Cresci no Brasil, nos anos 60 e 70, quando as emissoras de TV, mesmo em São Paulo, não passavam de seis. Ou seja, ninguém pensava na época em TV segmentada. Pois no meu continente tinha, a TV dos Carros, emissora que transmitia somente corridas de carro, nada mais.
Eventualmente, quando a TV a cabo estourou, e a tecnologia permitiu a expansão do número de canais, começaram a surgir canais de todos os tipos. Nos EUA, surgiu o Speed Channel, cuja proposta inicial era idêntica à da minha TV dos Carros. Sou gênio? Não, óbvio, só tinha muita imaginação. e certamente, nunca tive acesso a grana para lançar um canal de TV.
Falando em TV, nos últimos dez anos surgiu o fenômeno da Reality TV. Alguns dizem que foi o BBB original, o tal holandês, a criar o gênero, outros que foram os canais segmentados, ou outros antigos programas desconhecidos que não vingaram. Atualmente, aqui nos EUA, você pode assistir a dúzias de programas sobre a realidade do dia a dia de prostitutas, advogados, operadores de empresas de guincho, policiais, médicos, enfermeiros, etc.
Curiosamente, ao ler um exemplar recente da revista em quadrinhos "Disney Anni d`Oro", uma das revistas do grupo Disney editadas na Itália, me choquei ao descobrir que uma historinha com o Pato Donald, publicada na revista Topolino n. 1388, de 1982, descreve exatamente o que viriam a ser os reality shows de um futuro próximo. Na história "Paperino e la Serie Televisiva" (não sei se foi ou não editada no Brasil) um diretor de TV vê o Pato Donald sofrendo com sua vida, e decide fazer um "reality" com o pato. Não vou contar o resto da história, exceto que o tal show foi ao ar, e virou um grande sucesso, e um belo dia...
Quem diria...
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