De repente, me lembrei dos idos de 1998, 1999. Naquela época, alguns esperavam o fim do mundo, o colapso total dos sistemas de informática, que não saberiam como passar de 1999 para 2000. O Y2K. Muito se falou - e se gastou - sobre o assunto. Apareceram especialistas de todos os lados, teve gente comprando comida, água, pilhas. Eu mesmo acabei traduzindo diversos planos de recuperação de bancos, caso houvesse o temido colapso. E de tanto ouvir falar sobre o assunto, fiquei semi-paranóico durante duas semanas. Na base do "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay", resolvi - timidamente - começar a estocar comida. Minha primeira - e última - provisão foi um lote de 24 latas de milho. Acabei chamando-os de MILHÊNIO, e dei a maioria das latas para amigos, quando passou a paranoia.
O resultado, todos sabem. Não houve colapso de sistema bancário, financeiro, energético, nada. EM NENHUM LUGAR. Pelo jeito, era tudo uma grande armação.
Ser precavido é bom, porém, também é bom cheirar armação de longe.
Confesso que até eu achava que a Copa seria um desastre total no Brasil, que o país não estava preparado, o escambau a quatro. Pelo jeito, não houve tantos problemas quanto na Copa da África do Sul. Na hora H até os mais ávidos manifestantes estão com as TVs e computadores ligados nos jogos e colecionando figurinhas...
Sei que havia um ângulo político, e ainda há. Vai haver manipulação? Provavelmente. Houve roubo? Certamente. Não sou tão estúpido. Alguns hão de dizer que as coisas estão bem por causa da intervenção da heroína imprensa, tipo "se a imprensa não tivesse falado tanto, aí sim iria acontecer um desastre". Que me desculpe a imprensa, seria um pouco Chimentesco dizer que o sucesso da Copa, até agora, foi devido ao escrutínio do quarto poder. Se fosse para dar meleca, teria dado, com ou sem imprensa. Sem trocadilho, acho que uma prensa da FIFA foi mais vital do que milhares de artigos e programas que exaustivamente mostraram que a Copa seria um vexame. Convenhamos, no fim das contas, o que vale é dinheiro no bolso e paz. E ninguém quer ser processado pela FIFA, sediada ainda por cima na Suiça. A adimplência de contratos é o que contou para o resultado até agora bom.
Ok, não há trens balas, a pobreza ainda existe no país, nossos aeroportos não são Schiphol ou Miami, e, de modo geral, muito pouca gente ganhou dinheiro com a Copa. Ou vai ganhar. De fato, os jornais de hoje dizem que a criação de empregos formais neste mês de maio foi a menor para este mês nos últimos 22 anos!
Agora, francamente, um cara que mora no interior do Piauí ou Rondônia, ou em qualquer cidade que não seja sede da copa, não mexe com turismo, hotelaria, restaurantes, logística, mídia ou construção, nem gosta de futebol, ora bolas, o que esse cara achou que iria ganhar, em termos financeiros, com uma Copa do Mundo? O cara é encanador em Blumenau e achou iria ganhar grana com a Copa?
Acho que no fundo essa foi a bronca dos milhares que foram às ruas. CADÊ MINHA GRANA? Acharam que ia sobrar algo para eles, e quando não sobrou, ficaram uma vara, viraram blackblocks e sininhos!!!
Não se trata de defender o governo, ou qualquer partido político, até porque, quem me conhece sabe muito bem que sou apartidário. Entretanto, a linha geral de ataque CONTRA a Copa, que o dinheiro poderia ser usado na construção de hospitais e escolas, me parece um tanto falha, e vou explicar porque.
Primeiro, por que o valor é relativamente insignificante, considerando as grandes necessidades do Brasil. É um fato. A carência do país nestas áreas (educação e saúde), provavelmente soma alguns trilhões de reais. Vejamos, por exemplo, as faustas e faraônicas aposentadorias de um grande número de servidores públicos (e am alguns casos, filhas de servidores públicos mortos há décadas, não casadas). Este é um problema muito mais sério, constante, em expansão, estrutural, e não pontual, do que a Copa. A Copa é pinto, em termos das fortunas que são gastas com estes exagerados benefícios. Que me desculpem os beneficiados...
Segundo, tratar tal evento como completamente supérfluo é um precedente perigoso, que poderia levar ao raciocínio de que todo e qualquer evento esportivo, artístico ou cultural é supérfluo. Afinal de contas, isonomia é boa, a faz bem. Obviamente, aqueles que gostam de artes plásticas iriam chiar se o governo começasse a fechar museus, afinal de contas, precisamos de hospitais e escolas, museu é supérfluo. Vêm como o raciocínio é perigoso?
Muitos artistas andaram debandando a falar mal da Copa, frisando justamente a má alocação de fundos. Porém, salvo por Lobão, e provavelmente outros que desconheço, poucos artistas falam mal da Lei Rouanet, que direta ou indiretamente, reduz o fluxo de recursos para o governo ou os extrai, criando incentivos para patrocínio de eventos ou produtos culturais. Eu sou um cara da cultura. Porém, um sujeito como o Gilberto Gil, que inclusive já foi ministro, não precisa de recursos da Lei Rouanet para fazer um show!!! Não tenho ideia de quantos projetos já foram aprovados sob a égide desta lei, porém, imagino que devam ser milhares, alguns envolvendo recursos milionários.
Ou seja, em corporativismo puro, alguns artistas - que provavelmente não gostam de futebol, ou não querem admitir que gostam, ou querem Ibope - combatem o uso de bilhões na construção de estádios (que inclusive poderão ser usados para seus shows, no futuro...), porém, nada dizem quando pencas de artistas de renome abocanham verdadeiras fortunas de dinheiro público para fazer shows, sem contar o grande número de livros, CDs e DVDs financiados com tais recursos. Às vezes são shows mequetrefes e meia-boca, só com o artista, um violão, sua voz desafinada, nem banda contratam! E sabe-se lá se os fundos não terminam imobilizados em cimento e vidro em Paris, Nova Iorque, Miami...
Sem tirar o foco, se considerarmos uma Copa do Mundo supérflua, então, todo dinheiro público gasto em concertos, exibições, exposições, carnaval, e todo e qualquer evento esportivo é tão supérfluo quanto a Copa. E diga-se de passagem, na somatória, estes fundos provavelmente dão algumas Copas por ano! Vamos cancelar tudo então? (Cabe lembrar que quando uma empresa reduz sua carga tributária por patrocinar um evento ou produto cultural, o governo arrecada menos, tirando de circulação dinheiro que poderia ser gastu em hospitais ou escolas. Existe um custo, sim. Em síntese, é isso).
Enfim, temos aqui uma boa dose de hipocrisia, além de um faux elitismo. Dizem que rock and roll é 90% postura, 10% talento. Olha, não é só no rock. Muita gente se incomoda muito mais com sua postura do que conteúdo. Existe um povo no Brasil que se auto denomina eliteculturalformadordeopiniãogentefinadealtonível, e adora desdenhar do futebol, por exemplo, por ser "popular". E com a boca cheia, adoram dizer que têm uma visão mais "europeia" da vida. Pois bem, na Europa inteira os estádios ficam cheios, durma-se com um barulho destes! Europeu é doido por futebol! Essa afetação besta acaba sendo uma boa dose de ignorância do aspirante a elitista. Se não gosta de futebol, ótimo, agora, não vai querer se ufanar empombadamente de ser uma pessoa de um "nível cultural tão alto" que detesta este esporte (mas até aguenta o tênis e o golfe, esporte de gente mais fina. De novo a danada da postura).
Por fim, fico imaginando a tal copa em Catar. Nosso país tem dimensões continentais, e parte do problema tem sido exatamente esse, a distância entre as cidades sede. Agora, o Catar é minúsculo! Se construírem ez estádios no "país", não vai sobrar espaço para ninguém viver ou circular. Ou será que vão connstruir um em cima do outro, em forma de veleiro?
E tenho dito.
Humor, mau gosto, ou pretensão. Fica a seu critério. O mundo visto sob uma ótica diferente. A natureza deste blog é jocosa. Pode até falar sobre coisas sérias, porém, com viés humorístico. Se você não tem bom senso de humor, SAIA DAQUI IMEDIATAMENTE.
Tuesday, June 24, 2014
Tuesday, June 17, 2014
Todo brasileiro é técnico de futebol, sou brasileiro, portanto....
Antes de mais nada, confesso que sou grosso em futebol, com G maiúsculo, e que a última vez que joguei algo parecido com uma partida de futebol inteira faz mais de 25 anos. Entretanto, não me venham com essa argumentação de que não tenho capacidade para opinar sobre o assunto, devido à minha falta de experiência em campo.
Escrevo sobre automobilismo, e nunca corri. Muitos interlocutores que um dia já correram (que seja duas ou três corridas) se julgam mais capacitados para opinar sobre o esporte de modo geral, e cansam de dizer isso no facebook, foruns, etc, etc. É verdade que a experiência é importante para obter certas informações sobre qualquer faceta da atividade humana, mas nem todas. Além disso, muitas das mesmas pessoas que usam esse artifício no tocante ao esporte motor, se julgam capacitadas para opinar sobre política, sem nunca ter ocupado cargo político, sobre economia, sem saber quem foi Adam Smith, e sobre música, sem saber a diferença entre compasso, harmonia e tom, sem contar opiniões sobre religião, filosofia, ciência, negócios, etc. Isto não os impede de vociferar opiniões sobre tudo, sobre todos, com fortes doses de desconhecimento histórico de todos os assuntos. Inclusive história do automobilismo, no caso de alguns ex-efêmeros pilotos.
Isto posto, o que vou dizer aqui não requer nenhum conhecimento mais profundo de táticas e esquemas futebolísticos, visão de jogo, jogar sem bola, e tantas outras coisas que os especialistas adoram mencionar às pencas para diferenciar-se dos meros seres humanos "que nunca jogaram bola mesmo". Para chegar a certas conclusões, basta um pouco de raciocínio e sensatez. E creio ter ambos,.
Comprei um livro que contém as súmulas de todos os jogos do Santos, de 1912 a 2012. Já li milhares delas, e junto com meu razoável conhecimento histórico do nosso futebol, posso falar com autoridade sobre este tópico específico. No seu auge, o Santos contou com um plantel mais ou menos fixo durante anos. O técnico Lula esteve à frente do time durante mais de dez anos. Não era só Pelé que estava em todas, Zito, Lima, Pepe, Mengálvio, Coutinho, Toninho Guerreiro, Edu, Clodoaldo, Carlos Alberto, Dorval, Gilmar, jogaram anos a fio juntos. Até mesmo alguns reservas como Douglas, Turcão, Oberdan, Pitico, Léo, fizeram parte do elenco durante muitos anos.
E isso não ocorria só com o Santos. O Botafogo do Rio, o Palmeiras, o São Paulo, o Cruzeiro, de fato, todos os grandes times conseguiam segurar seus melhores jogadores como Ademir da Guia, Jairzinho, Dudu, Rivellino. Dirceu Lopes, Zico e muitos outros coadjuvantes, durante diversas temporadas.
O nosso futebol é supostamente rico em talento, porém, falta-lhe o dinheiro. Sendo assim, hoje em dia um time contrata um jogador, se esforça para pagar 500 mil por mês, daí aparece um time da Europa e leva o cara embora com uma conversa mole. Sem contar a garotada das bases, levados às dúzias para times dos quatro cantos do mundo, e jogadores que adoram trocar de time dentro do Brasil a cada seis meses. Sendo assim, os ídolos dos times brasileiros, na atualidade, são passageiros. Muitos "ídolos" não ficam mais de um semestre nos grandes times do nosso Brasil, que têm que estar sempre improvisando, implorando jogadores emprestados, ou comprando "estrelas" por milhões com resultados questionáveis, como está sendo o caso de Leandro Damião no meu sofrido Santos.
Entretanto, há um time brasileiro que pode trabalhar com um elenco basicamente fixo durante quatro anos ou mais. E este é a Seleção brasileira.
O que se viu nos quatro anos de "preparo" para a copa foi um smosgarbord de jogadores de diversos matizes, procedências, idades e experiência, basicamente sendo usados em jogos de pouca relevância, com exceção da Copa das Confederações. Ficou claro que o elenco atual simplesmente não se entende, e não poderia ser diferente. Os caras simplesmente não jogaram juntos suficientemente e muitos não jogam no Brasil há anos, mal se enfrentaram nos campos no Brasil, muito menos na Europa!
No passado, achava-se que o abundante talento dos jogadores brasileiros poderia superar até mesmo a falta de entrosamento. Porém, fica muito evidente não só com este elenco atual, mas com a geração inteira de futebolistas brasileiros, no quesito talento não somos mais aquela unanimidade dos anos 50 a 70. Há muito jogador mediano na seleção, quem sabe um ou outro semi perna de pau.
Na minha humilde opinião, se fosse determinada uma base de pelo menos 11 jogadores desde o começo da preparação, hoje teríamos um time entrosado. Agora, devemos esperar que o entrosamento ocorra em campo, num curtíssimo espaço de tempo.
Sendo assim, já que o erro está feito, só nos resta esperar que o fator casa conte, e que o Brasil supere seus óbvios problemas na raça, pois no entrosamento e talento estamos fritos.
Escrevo sobre automobilismo, e nunca corri. Muitos interlocutores que um dia já correram (que seja duas ou três corridas) se julgam mais capacitados para opinar sobre o esporte de modo geral, e cansam de dizer isso no facebook, foruns, etc, etc. É verdade que a experiência é importante para obter certas informações sobre qualquer faceta da atividade humana, mas nem todas. Além disso, muitas das mesmas pessoas que usam esse artifício no tocante ao esporte motor, se julgam capacitadas para opinar sobre política, sem nunca ter ocupado cargo político, sobre economia, sem saber quem foi Adam Smith, e sobre música, sem saber a diferença entre compasso, harmonia e tom, sem contar opiniões sobre religião, filosofia, ciência, negócios, etc. Isto não os impede de vociferar opiniões sobre tudo, sobre todos, com fortes doses de desconhecimento histórico de todos os assuntos. Inclusive história do automobilismo, no caso de alguns ex-efêmeros pilotos.
Isto posto, o que vou dizer aqui não requer nenhum conhecimento mais profundo de táticas e esquemas futebolísticos, visão de jogo, jogar sem bola, e tantas outras coisas que os especialistas adoram mencionar às pencas para diferenciar-se dos meros seres humanos "que nunca jogaram bola mesmo". Para chegar a certas conclusões, basta um pouco de raciocínio e sensatez. E creio ter ambos,.
Comprei um livro que contém as súmulas de todos os jogos do Santos, de 1912 a 2012. Já li milhares delas, e junto com meu razoável conhecimento histórico do nosso futebol, posso falar com autoridade sobre este tópico específico. No seu auge, o Santos contou com um plantel mais ou menos fixo durante anos. O técnico Lula esteve à frente do time durante mais de dez anos. Não era só Pelé que estava em todas, Zito, Lima, Pepe, Mengálvio, Coutinho, Toninho Guerreiro, Edu, Clodoaldo, Carlos Alberto, Dorval, Gilmar, jogaram anos a fio juntos. Até mesmo alguns reservas como Douglas, Turcão, Oberdan, Pitico, Léo, fizeram parte do elenco durante muitos anos.
E isso não ocorria só com o Santos. O Botafogo do Rio, o Palmeiras, o São Paulo, o Cruzeiro, de fato, todos os grandes times conseguiam segurar seus melhores jogadores como Ademir da Guia, Jairzinho, Dudu, Rivellino. Dirceu Lopes, Zico e muitos outros coadjuvantes, durante diversas temporadas.
O nosso futebol é supostamente rico em talento, porém, falta-lhe o dinheiro. Sendo assim, hoje em dia um time contrata um jogador, se esforça para pagar 500 mil por mês, daí aparece um time da Europa e leva o cara embora com uma conversa mole. Sem contar a garotada das bases, levados às dúzias para times dos quatro cantos do mundo, e jogadores que adoram trocar de time dentro do Brasil a cada seis meses. Sendo assim, os ídolos dos times brasileiros, na atualidade, são passageiros. Muitos "ídolos" não ficam mais de um semestre nos grandes times do nosso Brasil, que têm que estar sempre improvisando, implorando jogadores emprestados, ou comprando "estrelas" por milhões com resultados questionáveis, como está sendo o caso de Leandro Damião no meu sofrido Santos.
Entretanto, há um time brasileiro que pode trabalhar com um elenco basicamente fixo durante quatro anos ou mais. E este é a Seleção brasileira.
O que se viu nos quatro anos de "preparo" para a copa foi um smosgarbord de jogadores de diversos matizes, procedências, idades e experiência, basicamente sendo usados em jogos de pouca relevância, com exceção da Copa das Confederações. Ficou claro que o elenco atual simplesmente não se entende, e não poderia ser diferente. Os caras simplesmente não jogaram juntos suficientemente e muitos não jogam no Brasil há anos, mal se enfrentaram nos campos no Brasil, muito menos na Europa!
No passado, achava-se que o abundante talento dos jogadores brasileiros poderia superar até mesmo a falta de entrosamento. Porém, fica muito evidente não só com este elenco atual, mas com a geração inteira de futebolistas brasileiros, no quesito talento não somos mais aquela unanimidade dos anos 50 a 70. Há muito jogador mediano na seleção, quem sabe um ou outro semi perna de pau.
Na minha humilde opinião, se fosse determinada uma base de pelo menos 11 jogadores desde o começo da preparação, hoje teríamos um time entrosado. Agora, devemos esperar que o entrosamento ocorra em campo, num curtíssimo espaço de tempo.
Sendo assim, já que o erro está feito, só nos resta esperar que o fator casa conte, e que o Brasil supere seus óbvios problemas na raça, pois no entrosamento e talento estamos fritos.
Wednesday, April 30, 2014
Disfunções da imprensa -bananas, NBAs e EBs
Entendo a lei da oferta e procura. Entendo que, com a internet, a imprensa, o jornalismo, assim como diversos outros setores, tiveram que se reinventar, correndo o perigo de tornarem-se redundantes. Sinto isso na pele, pois o setor de traduções foi um dos mais afetados pela revolução tecnológica. Afinal de contas, quando o google faz traduções de graça, é difícil você convencer alguém que pago é melhor, pois o google é o google, e é grátis.
Obviamente, o mesmo ocorreu com a imprensa, principalmente o jornalismo clássico, de jornais diários, com rotativas, distribuição em banca. Muitos jornais já se foram para o cemitério dos periódicos nos últimos anos, e alguns outros parecem seguir celeremente o mesmo caminho.
Tudo ficou muito bagunçado hoje em dia. O que era imprensa séria, há vinte anos atrás, hoje é obrigada a dar grande ênfase às novelas globais, BBBs e cada passo da Madonna, pois jornalismo virou entretenimento, entertainment puro. Há um grande jornal que não perde a oportunidade de colocar matérias na sua página principal sobre mamárias (câncer de mama, amamentação, etc) só para poder ilustrá-las com vistosas peitamas em flor. Isto num jornal que um dia foi considerado o mais influente do Brasil.
Sim, é a lei da oferta e procura. Poucos ainda continuam pagando pelo jornal em banca, menos ainda assinando na internet, e para chamar leitores online, e rezar que alguém clique nos anúncios, é preciso as peitamas, especulações sobre a calcinha da Lindsey Lohan (ou falta da mesma), sem contar com uma dose extra-forte de tudo que é fútil, e "da hora".
A imprensa, o jornalismo, diria, tem a função de reportar os acontecimentos, porém, também tem um componente proativo. E imagino que este componente proativo de informar tendências (econômicas, políticas, etc, estou falando de coisas sérias, do futuro da humanidade) se não se foi completamente pelos ares, está próximo de ir.
Todo tipo de racismo é sem dúvida lamentável, e deve ser relatado. Sinto isso na pele, afinal de contas, moro no exterior há 38 anos e sou objeto de preconceito de tudo que é lado. Além disso, sou surdo. Mesmo assim, achei um pouco desmedido o espaço que foi dado, tanto no Brasil como nos EUA, a dois eventos de racismo, os dois em esportes populares - o caso da banana no Dani Alves e do racismo declarado por um dono de um time de basquete da principal liga do mundo, a NBA. Fizeram bem os jornais de relatar os acontecimentos, porém, não se parou de falar no assunto, ao ponto que o Facebook de alguns dias atrás parecia o vale do Ribeira, de tanta banana. Chegou uma hora que ficou cansativo DEMAIS.
Nestes últimos dias estou lendo um livro sobre a derrocada das empresas X. Confesso que sempre olhei com um pouco de suspeita a rapidíssima inserção das jovens empresas no panteon dos gigantes mundiais, rankings de Forbes, etc. Sou diplomado em geologia, e sei um pouco das dificuldades tanto do ramo de mineração como petrolífero, sob um ponto de vista técnico. O que mais me supreendeu, entretanto, foi saber que o mesmo senhor que estava à frente destas empresas, tinha um histórico curioso no mundo dos negócios, num passado recente, e em diversos setores. As mesmas hiperbólicas alegações feitas por EB no caso das X, foram feitas na sua empresa de jipes e no caso da empresa de logística que seria a maior concorrente dos Correios em um par de anos. E o resultado das duas foi igual.
Não se trata de dizer que houve desonestidade, no strictu sensu, não acho que houve. Acredito que EB realmente cria em tudo que disse, tem doses cavalares de otimismo, muito carisma e sabe convencer. Sabe vender seu peixe como poucos. Além de ter outros atributos como boa aparência, eloquência, ter sido esportista bem sucedido, falar diversos idiomas e ter sido casado com uma modelo famosa. O problema não é EB. Ele fez o que todos nós fazemos diariamente ao sair de casa e ir para o trabalho, tentar vender nosso peixe.
O que eu não entendo é como a imprensa, inclusive os supostos jornais "sérios" se deixou levar pelas dezenas, centenas de comunicados de imprensa, coletivas, comunicados de fatos relevantes, aparentemente sem qualquer filtro ou ponderação...Por que, se não me falha a minha memória, nenhum jornal ousava questionar em nada a meteórica ascenção do império X, lá por volta de 2006 a 2010, todo mundo batia palminhas, achava lindo, plausível e factível.
Não precisava ir muito longe. Seria saudável pelo menos alertar, dizer para as pessoas que tivessem cuidado, informar que alguns dos empreendimentos anteriores do Sr. EB não tinham alcançado tanto sucesso, trazer à tona uma discussão. Não se trataria de esculhambar, de difamar o empresário, algo tão insidioso quanto o racismo, a meu ver. Porém, a função de alertar, de proatividade, parece que nossa imprensa não faz há já algum tempo. Limita-se a narrar os fatos quando a bomba explode.
Muita gente acabou perdendo dinheiro, o que é normal no mercado de capitais, até mesmo com empresas em franca atividade e de sucesso, porém, imagino que muita gente que não podia perder, o fez por falta de informação, omissão da imprensa.
Onde estava a imprensa em 2006, 2007? Por que ler um livro a posteriori não resolve muita coisa. Aliás, não resolve nada para quem perdeu as calças.
Na realidade, na época provavelmente você teria teria muitos artigos ainda sendo escritos sobre as saltitantes peitamas de Janet Jackson no Superbowl, as capas da próxima Sexy, ou relatórios constantes sobre as desventuras de nossos futebolistas no Uzbequistão ou Farofistão. Ou seja, disfunção. Disfunção pura.
Obviamente, o mesmo ocorreu com a imprensa, principalmente o jornalismo clássico, de jornais diários, com rotativas, distribuição em banca. Muitos jornais já se foram para o cemitério dos periódicos nos últimos anos, e alguns outros parecem seguir celeremente o mesmo caminho.
Tudo ficou muito bagunçado hoje em dia. O que era imprensa séria, há vinte anos atrás, hoje é obrigada a dar grande ênfase às novelas globais, BBBs e cada passo da Madonna, pois jornalismo virou entretenimento, entertainment puro. Há um grande jornal que não perde a oportunidade de colocar matérias na sua página principal sobre mamárias (câncer de mama, amamentação, etc) só para poder ilustrá-las com vistosas peitamas em flor. Isto num jornal que um dia foi considerado o mais influente do Brasil.
Sim, é a lei da oferta e procura. Poucos ainda continuam pagando pelo jornal em banca, menos ainda assinando na internet, e para chamar leitores online, e rezar que alguém clique nos anúncios, é preciso as peitamas, especulações sobre a calcinha da Lindsey Lohan (ou falta da mesma), sem contar com uma dose extra-forte de tudo que é fútil, e "da hora".
A imprensa, o jornalismo, diria, tem a função de reportar os acontecimentos, porém, também tem um componente proativo. E imagino que este componente proativo de informar tendências (econômicas, políticas, etc, estou falando de coisas sérias, do futuro da humanidade) se não se foi completamente pelos ares, está próximo de ir.
Todo tipo de racismo é sem dúvida lamentável, e deve ser relatado. Sinto isso na pele, afinal de contas, moro no exterior há 38 anos e sou objeto de preconceito de tudo que é lado. Além disso, sou surdo. Mesmo assim, achei um pouco desmedido o espaço que foi dado, tanto no Brasil como nos EUA, a dois eventos de racismo, os dois em esportes populares - o caso da banana no Dani Alves e do racismo declarado por um dono de um time de basquete da principal liga do mundo, a NBA. Fizeram bem os jornais de relatar os acontecimentos, porém, não se parou de falar no assunto, ao ponto que o Facebook de alguns dias atrás parecia o vale do Ribeira, de tanta banana. Chegou uma hora que ficou cansativo DEMAIS.
Nestes últimos dias estou lendo um livro sobre a derrocada das empresas X. Confesso que sempre olhei com um pouco de suspeita a rapidíssima inserção das jovens empresas no panteon dos gigantes mundiais, rankings de Forbes, etc. Sou diplomado em geologia, e sei um pouco das dificuldades tanto do ramo de mineração como petrolífero, sob um ponto de vista técnico. O que mais me supreendeu, entretanto, foi saber que o mesmo senhor que estava à frente destas empresas, tinha um histórico curioso no mundo dos negócios, num passado recente, e em diversos setores. As mesmas hiperbólicas alegações feitas por EB no caso das X, foram feitas na sua empresa de jipes e no caso da empresa de logística que seria a maior concorrente dos Correios em um par de anos. E o resultado das duas foi igual.
Não se trata de dizer que houve desonestidade, no strictu sensu, não acho que houve. Acredito que EB realmente cria em tudo que disse, tem doses cavalares de otimismo, muito carisma e sabe convencer. Sabe vender seu peixe como poucos. Além de ter outros atributos como boa aparência, eloquência, ter sido esportista bem sucedido, falar diversos idiomas e ter sido casado com uma modelo famosa. O problema não é EB. Ele fez o que todos nós fazemos diariamente ao sair de casa e ir para o trabalho, tentar vender nosso peixe.
O que eu não entendo é como a imprensa, inclusive os supostos jornais "sérios" se deixou levar pelas dezenas, centenas de comunicados de imprensa, coletivas, comunicados de fatos relevantes, aparentemente sem qualquer filtro ou ponderação...Por que, se não me falha a minha memória, nenhum jornal ousava questionar em nada a meteórica ascenção do império X, lá por volta de 2006 a 2010, todo mundo batia palminhas, achava lindo, plausível e factível.
Não precisava ir muito longe. Seria saudável pelo menos alertar, dizer para as pessoas que tivessem cuidado, informar que alguns dos empreendimentos anteriores do Sr. EB não tinham alcançado tanto sucesso, trazer à tona uma discussão. Não se trataria de esculhambar, de difamar o empresário, algo tão insidioso quanto o racismo, a meu ver. Porém, a função de alertar, de proatividade, parece que nossa imprensa não faz há já algum tempo. Limita-se a narrar os fatos quando a bomba explode.
Muita gente acabou perdendo dinheiro, o que é normal no mercado de capitais, até mesmo com empresas em franca atividade e de sucesso, porém, imagino que muita gente que não podia perder, o fez por falta de informação, omissão da imprensa.
Onde estava a imprensa em 2006, 2007? Por que ler um livro a posteriori não resolve muita coisa. Aliás, não resolve nada para quem perdeu as calças.
Na realidade, na época provavelmente você teria teria muitos artigos ainda sendo escritos sobre as saltitantes peitamas de Janet Jackson no Superbowl, as capas da próxima Sexy, ou relatórios constantes sobre as desventuras de nossos futebolistas no Uzbequistão ou Farofistão. Ou seja, disfunção. Disfunção pura.
Wednesday, April 23, 2014
Pelo jeito, São Paulo paga o pato novamente
Amo patos. É o meu bicho predileto, e todos que me conhecem bem sabem disso. Acham estranho inicialmente, porém, eventualmente começam a postar patos no meu facebook, compram patos de borracha para mim no mundo inteiro, e descobrem que também gostam de patos.
Pagar o pato, entretanto, não é uma expressão legal. Não chega a ser pejorativa, pois quem paga o pato geralmente não é culpado de nada. Não tenho a mínima ideia de onde vem a noção de que pagar por um pato é uma coisa negativa. Eu pagaria por um pato sem qualquer reserva. Já se fosse pagar uma barata, aí seria pagar mico. Bom, estou complicando esta fauna toda.
Voltemos ao foco deste texto. São Paulo, tanto a cidade, como o Estado, estão acostumados a pagar o pato. Queiram ou não, é um fato histórico. Leiam muitos livros de história e economia, e chegarão à mesma conclusão.
Não sou dado a bairrismos baratos, portanto, não me acusem de bairrista. Nem tampouco estou acusando ninguém de nada. Só estou narrando os fatos - se podiam ser previstos, não tenho a mínima ideia.
Hoje uma colunista de um jornal paulistano disse que os hoteis da cidade estão um pouco desesperados com relação à Copa do Mundo. Não precisa ser Pascal para concluir que hoje SP tem o maior parque hoteleiro do país. Não só tem o maior número de quartos, como também a melhor qualidade, tendo suplantado o Rio de Janeiro nos anos 90.
Entretanto, os hoteleiros de SP estão bastante preocupados com sua taxa de ocupação durante a realização da Copa. Enquanto no Rio de Janeiro somente há algo como 8% de quartos disponíveis, mais de 60% da capacidade de SP ainda está sem reservas! Na realidade, a cidade é, de longe, a sede da Copa na pior situação. Justo a cidade que tem melhores condições de receber turistas às pencas!
Ocorre que, durante a Copa, os executivos, que geralmente enchem a cidade, em visitas a clientes, fornecedores ou feiras, simplesmente fugiram de SP! Entre outras coisas, os preços das passagens assustam, os hoteis também estão exagerando (têm lá sua culpa os hoteleiros) e o viajante internacional já está de sobreaviso que a já cara Pauliceia provavelmente ficará mais cara ainda durante o torneio futebolístico. Os executivos não foram substituídos por hordas de torcedores, afinal de contas, a cidade sediará um número relativamente pequeno de jogos. Imagino que muita gente esteja fazendo sua base no Rio de Janeiro, convenhamos, uma cidade mais bonita do que SP.
Isso não seria tudo. Enquanto os hoteis esiverem à míngua (e os restaurantes e outra infra estrutura de atendimento provavelmente, também estarão às moscas), o Aeroporto de Cumbica provavelmente estará entupido de gente chegando e fazendo conexões para Natal, Cuiabá, Manaus, etc. Isto porque a maioria dos voos internacionais que chegam no Brasil pousam em SP, e querendo ou não, a cidade deverá ser usada de hub. O coitado do torcedor internacional que quiser seguir seu time em jogos em Manaus e depois em Porto Alegre vai sofrer. E provavelmente, passará por São Paulo.
Ou seja, o impacto econômico da Copa em SP provavelmente será negativo. Não se tratou de trocar seis por meia dúzia, e sim trocar seis por um. Um pato.
Pagar o pato, entretanto, não é uma expressão legal. Não chega a ser pejorativa, pois quem paga o pato geralmente não é culpado de nada. Não tenho a mínima ideia de onde vem a noção de que pagar por um pato é uma coisa negativa. Eu pagaria por um pato sem qualquer reserva. Já se fosse pagar uma barata, aí seria pagar mico. Bom, estou complicando esta fauna toda.
Voltemos ao foco deste texto. São Paulo, tanto a cidade, como o Estado, estão acostumados a pagar o pato. Queiram ou não, é um fato histórico. Leiam muitos livros de história e economia, e chegarão à mesma conclusão.
Não sou dado a bairrismos baratos, portanto, não me acusem de bairrista. Nem tampouco estou acusando ninguém de nada. Só estou narrando os fatos - se podiam ser previstos, não tenho a mínima ideia.
Hoje uma colunista de um jornal paulistano disse que os hoteis da cidade estão um pouco desesperados com relação à Copa do Mundo. Não precisa ser Pascal para concluir que hoje SP tem o maior parque hoteleiro do país. Não só tem o maior número de quartos, como também a melhor qualidade, tendo suplantado o Rio de Janeiro nos anos 90.
Entretanto, os hoteleiros de SP estão bastante preocupados com sua taxa de ocupação durante a realização da Copa. Enquanto no Rio de Janeiro somente há algo como 8% de quartos disponíveis, mais de 60% da capacidade de SP ainda está sem reservas! Na realidade, a cidade é, de longe, a sede da Copa na pior situação. Justo a cidade que tem melhores condições de receber turistas às pencas!
Ocorre que, durante a Copa, os executivos, que geralmente enchem a cidade, em visitas a clientes, fornecedores ou feiras, simplesmente fugiram de SP! Entre outras coisas, os preços das passagens assustam, os hoteis também estão exagerando (têm lá sua culpa os hoteleiros) e o viajante internacional já está de sobreaviso que a já cara Pauliceia provavelmente ficará mais cara ainda durante o torneio futebolístico. Os executivos não foram substituídos por hordas de torcedores, afinal de contas, a cidade sediará um número relativamente pequeno de jogos. Imagino que muita gente esteja fazendo sua base no Rio de Janeiro, convenhamos, uma cidade mais bonita do que SP.
Isso não seria tudo. Enquanto os hoteis esiverem à míngua (e os restaurantes e outra infra estrutura de atendimento provavelmente, também estarão às moscas), o Aeroporto de Cumbica provavelmente estará entupido de gente chegando e fazendo conexões para Natal, Cuiabá, Manaus, etc. Isto porque a maioria dos voos internacionais que chegam no Brasil pousam em SP, e querendo ou não, a cidade deverá ser usada de hub. O coitado do torcedor internacional que quiser seguir seu time em jogos em Manaus e depois em Porto Alegre vai sofrer. E provavelmente, passará por São Paulo.
Ou seja, o impacto econômico da Copa em SP provavelmente será negativo. Não se tratou de trocar seis por meia dúzia, e sim trocar seis por um. Um pato.
Monday, April 14, 2014
Perdeu o futebol
O que é o gol? Vem da palavra GOAL em inglês, que significa meta. Ou seja, um futebol sem gols é um futebol sem metas atingidas.
Fico feliz quando meu time marca muitos gols, principalmente durante um específico campeonato, por que atingiu metas. E foi assim com o Santos neste Campeonato Paulista, até encontrar o paredão do Ituano.
Não sou mau perdedor. Em última análise, o SFC perdeu o campeonato por que desperdiçou algumas chances nas duas partidas da final. Porém, no âmago da história, fica a vitória do futebol-paredão retranqueiro defensivo feio, sobre o futebol rápido, cheio de gols, metas atingidas. Em última análise, o Ituano foi mais eficaz do que o Santos, ficando 580 minutos sem ser vazado. O SFC até encontrar o paredão tinha uma média de 3 gols (metas) atingidos por jogo.
A meu ver, quem sabe o primeiro a repensar seu estilo de jogo, infelizmente, seja o próprio Santos. É notório que o Brasileiro é muito mais difícil do que o Paulistão, tanto é que o fenômeno Neymar nunca fez nenhuma diferença nos campeonatos brasileiros, e no ano passado os paulistas deram vexame no Nacional. Seria o fim das linhas de ataque com três jogadores, e início de meio de campo embolado com cinco, a maioria volantes e um panaca sozinho lá na frente.
Gostaria que o Santos continuasse a jogar o futebol alegre dos primeiros meses do ano, porém, me parece que inicia uma nova era no futebol brasileiro. A era da parede. Uma pena.
Como bom perdedor, meus parabéns ao Ituano. Que faça uma boa série D do campeonato nacional e volte à obscuridade nos próximos anos.
Fico feliz quando meu time marca muitos gols, principalmente durante um específico campeonato, por que atingiu metas. E foi assim com o Santos neste Campeonato Paulista, até encontrar o paredão do Ituano.
Não sou mau perdedor. Em última análise, o SFC perdeu o campeonato por que desperdiçou algumas chances nas duas partidas da final. Porém, no âmago da história, fica a vitória do futebol-paredão retranqueiro defensivo feio, sobre o futebol rápido, cheio de gols, metas atingidas. Em última análise, o Ituano foi mais eficaz do que o Santos, ficando 580 minutos sem ser vazado. O SFC até encontrar o paredão tinha uma média de 3 gols (metas) atingidos por jogo.
A meu ver, quem sabe o primeiro a repensar seu estilo de jogo, infelizmente, seja o próprio Santos. É notório que o Brasileiro é muito mais difícil do que o Paulistão, tanto é que o fenômeno Neymar nunca fez nenhuma diferença nos campeonatos brasileiros, e no ano passado os paulistas deram vexame no Nacional. Seria o fim das linhas de ataque com três jogadores, e início de meio de campo embolado com cinco, a maioria volantes e um panaca sozinho lá na frente.
Gostaria que o Santos continuasse a jogar o futebol alegre dos primeiros meses do ano, porém, me parece que inicia uma nova era no futebol brasileiro. A era da parede. Uma pena.
Como bom perdedor, meus parabéns ao Ituano. Que faça uma boa série D do campeonato nacional e volte à obscuridade nos próximos anos.
Thursday, April 10, 2014
Eu quero uma casa no campo
Quem não conhece a grande música de Zé Rodrix, interpretada de maneira tão magnífica por Elis Regina?
É bem possível que o pessoal da nova geração não conheça a música, ou não conheça a letra. De fato, é bem possível que logo a letra se torne completamente anacrônica.
Explico.
Há um trecho da canção, quem sabe, o mais conhecido e legal, que diz "onde possa levar meus amigos, meus discos e livros e nada mais". É para isso que o autor quer uma casa no campo.
Para a geração atual isto se reduziria a "onde possa levar meu tablet". Ou meu laptop ou smartphone.
Não sou avesso à modernidade. Trabalho com computadores há quase trinta anos, toco sintetizadores há 33, e meu carro é super-moderno. Estou cercado de aparelhos e softwares da hora. Minha aversão ao celular tem mais a ver com minha deficiência auditiva do que ódio à tecnologia. Não gosto de muita miniaturização por que tenho 10 de miopia, e outras "pias".
Raciocinemos. Discos já são uma coisa do passado há muito tempo. Foram substituídos por CDs. Demorei um pouco a engolir os CDs, porque, para mim, um LP era um evento. Lindas e imensas capas, encartes, sem contar o prazer de escolher na loja abarrotada de discos os álbuns que iriam consumir grande parte da minha exígua grana. Os CDs diminuíram um pouco a dimensão do evento (e dos encartes), e eventualmente a digitalização se tornou um tiro nos pés da indústria fonográfica. Hoje, lojas de CDs são poucas, e as existentes, contém pouco produto. Sim, você vai achar os lixos das Lady Gagas e Miley Cirus da vida, e basta. O prazer de mostrar uma estante cheia de LPs, ou mesmo de CDs, logo será uma coisa do passado, embora exista uma tentativa de ressuscitar os LPs. Hoje música, o consumo de música, é o consumo de arquivos digitais, seja online ou salvos no seu computador, tablet ou celular.
Livros...aqui nos Estados Unidos quase não existem mais livrarias. A Barnes and Noble, que quase monopolizou o mercado nos últimos 20 anos, agora começou a fechar suas lojas às pencas, visando competir tête-à-tête com a Amazon.com e vender pela internet. A proposta ainda é vender livros de papel, com capa, cola, e tinta. Não por muito tempo. Mais cedo, mais tarde, vão forçar a barra e fornecer a maioria dos livros somente em formato digital, algo que é facilitado pela plataforma da loja online. Sim, você ainda vai poder comprar açucarados ou bobos best-sellers nas suas versões em papel em super-mercados e farmácias, porém, o livro em papel corre o risco de ser o próximo mico-leão dourado neste país.
Os discos e livros do poema de Zé Rodrix estão se tornando quase exclusivamente digitais. Basta ter bastante memória no disco rígido, ou um bom número de pen-drives, e tudo caberá numa caixinha.
Só que até mesmo os amigos estão se tornando digitais, quase exclusivamente digitais, devidamente classificados e catalogados nas listas de contatos de celulares e aplicativos, ou em redes sociais. Sim, as pessoas ainda se reúnem (porém, quando estão juntas não param de olhar seus dispositivos de comunicação, cabe notar), mas em grande parte nossos contatos são virtuais, curtos e superficiais.
Ou seja, a ideia de um grupo de amigos se descambar para o campo, para ouvir discos e ler livros, é algo tão antiquado quanto as termas romanas! Para que tudo isso, crie-se um APP legal, todo mundo se reune num chat e compartilha arquivos digitais, e ninguém tem que sair de casa!!!
Ainda bem que o Zé - e a Elis - se foram antes de ver esse dia chegar.
É bem possível que o pessoal da nova geração não conheça a música, ou não conheça a letra. De fato, é bem possível que logo a letra se torne completamente anacrônica.
Explico.
Há um trecho da canção, quem sabe, o mais conhecido e legal, que diz "onde possa levar meus amigos, meus discos e livros e nada mais". É para isso que o autor quer uma casa no campo.
Para a geração atual isto se reduziria a "onde possa levar meu tablet". Ou meu laptop ou smartphone.
Não sou avesso à modernidade. Trabalho com computadores há quase trinta anos, toco sintetizadores há 33, e meu carro é super-moderno. Estou cercado de aparelhos e softwares da hora. Minha aversão ao celular tem mais a ver com minha deficiência auditiva do que ódio à tecnologia. Não gosto de muita miniaturização por que tenho 10 de miopia, e outras "pias".
Raciocinemos. Discos já são uma coisa do passado há muito tempo. Foram substituídos por CDs. Demorei um pouco a engolir os CDs, porque, para mim, um LP era um evento. Lindas e imensas capas, encartes, sem contar o prazer de escolher na loja abarrotada de discos os álbuns que iriam consumir grande parte da minha exígua grana. Os CDs diminuíram um pouco a dimensão do evento (e dos encartes), e eventualmente a digitalização se tornou um tiro nos pés da indústria fonográfica. Hoje, lojas de CDs são poucas, e as existentes, contém pouco produto. Sim, você vai achar os lixos das Lady Gagas e Miley Cirus da vida, e basta. O prazer de mostrar uma estante cheia de LPs, ou mesmo de CDs, logo será uma coisa do passado, embora exista uma tentativa de ressuscitar os LPs. Hoje música, o consumo de música, é o consumo de arquivos digitais, seja online ou salvos no seu computador, tablet ou celular.
Livros...aqui nos Estados Unidos quase não existem mais livrarias. A Barnes and Noble, que quase monopolizou o mercado nos últimos 20 anos, agora começou a fechar suas lojas às pencas, visando competir tête-à-tête com a Amazon.com e vender pela internet. A proposta ainda é vender livros de papel, com capa, cola, e tinta. Não por muito tempo. Mais cedo, mais tarde, vão forçar a barra e fornecer a maioria dos livros somente em formato digital, algo que é facilitado pela plataforma da loja online. Sim, você ainda vai poder comprar açucarados ou bobos best-sellers nas suas versões em papel em super-mercados e farmácias, porém, o livro em papel corre o risco de ser o próximo mico-leão dourado neste país.
Os discos e livros do poema de Zé Rodrix estão se tornando quase exclusivamente digitais. Basta ter bastante memória no disco rígido, ou um bom número de pen-drives, e tudo caberá numa caixinha.
Só que até mesmo os amigos estão se tornando digitais, quase exclusivamente digitais, devidamente classificados e catalogados nas listas de contatos de celulares e aplicativos, ou em redes sociais. Sim, as pessoas ainda se reúnem (porém, quando estão juntas não param de olhar seus dispositivos de comunicação, cabe notar), mas em grande parte nossos contatos são virtuais, curtos e superficiais.
Ou seja, a ideia de um grupo de amigos se descambar para o campo, para ouvir discos e ler livros, é algo tão antiquado quanto as termas romanas! Para que tudo isso, crie-se um APP legal, todo mundo se reune num chat e compartilha arquivos digitais, e ninguém tem que sair de casa!!!
Ainda bem que o Zé - e a Elis - se foram antes de ver esse dia chegar.
Thursday, April 3, 2014
Jaroleta
Considere a
palavra badalhoca. Segundo um amigo, jornalista de mão cheia e autor de um
livro de crônicas, o vocábulo significa algo assim como tranqueira. De fato, a
palavra, de tão relevante, inspirou até uma crônica homônima. Já para outra
pessoa, tão confiável quanto o escritor, badalhoca significaria aquele resíduo
sólido que insiste em permanecer no término da cavidade retal, mesmo após
criteriosa limpeza mecânica. Convenhamos, são duas definições bastante díspares
e confundir uma badalhoca pode trazer sérios distúrbios à saúde.
Quanto à
jaroleta, ouse perguntar ao google. O sabichão do mundo virtual não retorna
sequer uma instância desta palavra no nosso idioma. Nota: pronuncia-se
jaroleta com “r” curto, e não dois “rr”. Entretanto, nos idos de 1974, surgiu verbalmente
a jaroleta brasileira entre o nosso meio, os estudantes da oitava série do Colégio Macedo
Soares em São Paulo, ao mesmo tempo em que se popularizava a palavra “panaca”,
esta sim bastante difundida, embora um tanto boco-moca hoje em dia.
De uma
coisa sei. Apesar de progidiosa criatividade, não fui eu o autor do termo no vernáculo. Além
de arranjar apelidos para os colegas, naquela altura das coisas já tinha criado
diversos países, um continente, centenas de pilotos, marcas de carros e
empresas dos mais diversos setores, canais de televisão, times de futebol,
cantores e músicos no meu próprio universo, além de compor diversas músicas,
com começo, fim e meio. Até um mini samba-enredo. Criatividade com uma propensão ao detalhe não
me faltava, porém não fui eu o pai da jaroleta, que fique claro.
Tampouco
sei o que significava. Alguns podem atribuir ao sonoro e silábico termo um
significado fálico. Outros, mera interjeição. Porém, tinha lá a jaroleta algo de proibido, como muitas coisas
eram no País. Parece-me,
entretanto, que era um substantivo de significado assaz obscuro, mas certamente
não era uma conjugação do verbo jaroletar, nem tampouco um adjetivo. Não era um
nome próprio também. Mas a jaroleta entusiasmava a nossa imaginação.
Alguns
filósofos gregos julgavam que palavras tinham vida própria, e vinham ao mundo
captadas, descobertas por mentes iluminadas – advinhou, filósofos. Já eram
corporativistas os platões de plantão, certamente teriam criado fartas pensões
para eles mesmos, se pudessem. Certamente acho isto um exagero, principalmente
num mundo em que neologismos e bordões dão à luz às pencas. Quem criou a
jaroleta, portanto, não deve ter sido um gênio, porém, merece crédito. Sua criação
não pode ficar fora do universo virtual.
Não sei se
algum antigo colega vai se lembrar da pseudo-elocução. Quem sabe, alguém até
possa assumir a paternidade da expressão, com um orgulho alqaedista.
Para mim,
resta somente fazer jus a esta simpática palavra, que um dia foi criada,
repetida algumas vezes, teve uma existência efêmera e logo morreu uma morte pene-latina. Digo isso por que
não teve a oportunidade de influenciar algumas dezenas de idiomas. Homenageio
aqui a imaginação de um colega, provavelmente, próximo, que pariu a jaroleta.
Viva a jaroleta.
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