Quando comprei este livro, tinha uma certa expectativa. Todos temos, quando compramos um livro. E de fato, na primeira metade o livro atendeu plenamente minhas expectativas.
Porém, a certa altura do campeonato, algo aconteceu. Vou comparar a um outro livro, com um assunto completamente diferente, a "História do Automobilismo Brasileiro", de Reginaldo Leme. No começo, o livro discutiu todos aspectos do batalhador automobilismo brasileiro. Entretanto, a partir de 1970, o livro poderia ser chamado de "História dos Pilotos Brasileiros na Fórmula 1", pois basicamente quase todos centímetros do livro, a partir desse ano, eram dedicados aos pilotos brasileiros na categoria maior do automobilismo. Como se o automobilismo doméstico tivesse sumido.
No caso deste tomo, não se trata da Fórmula 1, lógico, porém, a Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. É bem verdade que são de longe os dois principais jornais do estado, por que não dizer do Brasil. Porém, o livro deixa mais perguntas a responder, sobre uma série de outros jornais que apareceram e desapareceram com o passar dos anos, e parece ser um livro sobre a Folha e o Estadão, com a Veja e Isto É fazendo papeis secundários.
Não me lembro de ter visto nenhuma menção sobre "O Dia", nem tampouco do "Popular da Tarde". Como se deu o desaparecimento de Notícias Populares, Última Hora, A Gazeta, Diário da Noite, Folha da Tarde. A Gazeta Esportiva foi tratada com o mais completo desdém, o declínio dos Diários Associados não mereceu muita explicação. Não me lembro de ter sido mencionado que o Diário de São Paulo tinha sido da Globo até recente, e falou-se muito pouco sobre o jornalismo televisivo em São Paulo. E o nome de Orestes Quércia não aparece em lugar nenhum, que eu me lembre.
É bem verdade que o subtítulo avisa que se trata de um livro sobre "Jornalismo e Poder de D. Pedro I a Dilma", e que sem dúvida, a NP, UH, Gazeta etc, certamente não contribuiram muita coisa no cenário político. Obviamente, Gazeta Esportiva teve pouco efeito na política brasileira, exceto em eleições no Corinthians.
Vale a pena comprar o livro pela primeira metade, cheia de deliciosos fatos.
Melhor teria sido se o autor tivesse dado o título "Jornalismo e Poder de D. Pedro I a Dilma", com o subtítulo "Uma História da Imprensa Paulista". Faria mais sentido.
Um dos fatos mais curiosos foi a grafia utilizada pelo autor para o Jornal Nacional da Globo, sempre escrito "Jornal nacional", com a palavra "nacional" em letras minúsculas. Obviamente, o autor não é muito fã do JN...
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