Tuesday, December 10, 2013

Minhas recomendações para a FIA

Fiquei tão animado com a pontuação dupla na final do campeonato de F1 na tradicional pista de Abu Dhabi, onde feras como Nuvolari, Fangio, Clark, Stewart e Senna fizeram grande parte da história do automobilismo, que resolvi dar umas sugestões para a FIA, para melhorar um pouco o nosso querido campeonato. Não precisa me pagar, Todt. O que eu quero é muita emoção genuína.

Primeiramente, adotar a pontuação da NASCAR. Garanto que a coisa ficará mais estreita. Será também a única oportunidade de a Marussia e a Caterham marcarem pontos antes de fecharem as portas.

Acho também que o grid de todas as corridas deve adotar o inverso da classificação final do ano anterior. Assim, o Vettel larga em último em todas as corridas, e as Caterham na frente. Vai ser muito emocionante ver as Caterham e Marussia brigando pela liderança por dez metros, sem contar o grande número de batidas nos primeiros metros. Quem sabe assim o Alonso ganha um campeonato para a Ferrari.

Outra opção seria colocar o Vettel largando em último em todas as corridas. Punição por ser tão bom. Meritocracia ao contrário. Ah, e colocar uns 50 kg a mais no seu carro, o menino é muito magrinho.

Ou então, voltar aos anos 30. Sortear as posições da largada, chega de qualifying determinar as posições da largada. Até pode continuar com o qualifying, afinal, é um programa de TV a mais, porém, as posições seriam sorteadas.

Além disso, para aumentar o elemento jogo da categoria, um piloto seria sorteado por corrida. Seu prêmio, perder os pontos ganhos na corrida (todos ganhariam pontos com a pontuação NASCAR). Fico imaginando a cara do sujeito. Ainda bem que o Chris Amon já se aposentou há muito tempo, senão iria ser sorteado todas as vezes.

Um folguedo. Todos os carros seriam abastecidos pela FIA. Alguns receberiam menos combustível (por sorteio), assim aumentando as emoções do final da corrida.

Algo interessante, se for adotada a pontuação da NASCAR, seria dar um ponto por cada volta que um piloto ocupar o último lugar. Assim o pessoal da retaguarda tem chances de ganhar o campeonato. Para garantir ultrapassagens na frente, cada volta na liderança seria punida com um ponto. Garanto que as emoções seriam grandes e a estratégia mudaria. Nivelaria muito a coisa.

Quanto a troca de pneus, sou completamente a favor. Entretanto, o próprio piloto trocaria seus pneus. A única ajuda dos boxes seria levantar o carro. O piloto sairia do bólido na hora do pitstop, e tiraria e colocaria seus próprios pneus. Ora bolas, ganham o suficiente para fazer isso, não é mesmo? Chega de mordomia. Além disso, as equipes economizariam bastante em salários e uniformes, não precisariam mais de 35 mecânicos para trocar pneus.

Também acho que os pilotos que fazem a volta mais rápida devem ser punidos por tanta pressa. Na corrida seguinte, devem perder cinco pontos, sem choro nem vela. Acho que FIA também poderia dar uma multa por excesso de velocidade, e assim engrossar um pouco seus cofres.

São só algumas das minhas humildes ideias para melhorar o espetáculo. Não precisa dizer que fui eu que sugeri.

Tuesday, November 5, 2013

A questão das biografias não autorizadas e por que meu dito cujo já lotou

Recentemente reninauguraram um supermercado imenso próximo da minha casa. A grande novidade estava no pessoal que empacota as mercadorias para os fregueses. Quando era guri, o pessoal que fazia este serviço no Peg-Pag da Rua das Palmeiras invariavelmente tinha uns 10 a 14 anos de idade, só um pouco mais velhos do que eu. Como os tempos mudam. No meu Publix local, a grande maioria dos empacotadores é composta de distintos senhores, alguns aparentemente com mais de setenta anos nas costas.

Alguns até parecem estar felizes de ganhar uma grana a mais. Porém, muitos parecem fazer o serviço com muito mau humor.  Afinal de contas, sonhavam na idade do ouro fazer cruzeiros, jogar dominó o dia inteiro, ler jornais em papel enquanto estes existem, enfim, sumariamente coçar. Não ficar empacotando alimentos que não podem comprar por causa do preço ou não podem mais consumir por causa dos ingredientes. Triste estado de coisas, a tão sonhada e propalada aposentadoria americana mal dá para pagar as contas, provavelmente vão morrer empacotando, estes velhinhos. Vão empacotar empacotando.

Parece-me que esta questão das biografias não autorizadas tem um pouco disso. Cantores ou cantoras setentões, que sonhavam aposentar-se só recebendo o din-din dos seus discos, agora são forçados a fazer shows, intermináveis shows pelo país afora, pois quase ninguém mais vende - ou ganha dinheiro - com discos no Brasil. Pelo menos não os medalhões de outrora, o pessoal a MPB. Sim, há aquelas magníficas caixas com todos ou quase todos os discos dos artistas, aquela que você sonhou em comprar, porém, na hora de pagar algumas centenas de reais, desistiu rápido. Aquelas caixas que provavelmente vendem uns poucos milhares de unidades, afinal de contas, onde estão as lojas de CDs? Para ganhar uma grana, os velhos artistas têm que ralar, embora a voz já não ajude, ficar de pé duas horas muito menos, carregar o violão é um sufoco, jogar o microfone pro lado e ensaiar uma dancinha seja complicado. Pô, acabaram com minha aposentadoria, dizem os cantantes setentões. Não é uma brasa, mora! Agora o público faz download ilegal direto, copiam CDs dos amigos em ipads ou então chupam as músicas do youtube. Acabou a mamata eterna.

Sendo assim, me parece que a questão não tem absolutamente nada a ver com privacidade. Tem a ver com grana. Um ressentimento de que não somente a tecnologia deu um golpe letal na sua aposentadoria, mas ainda por cima tem nego querendo ganhar dinheiro em cima da suada fama adquirida depois de anos e anos de trabalho.

Essa coisa de celebridades quererem privacidade é complicada, a meu ver. Primeiro, fazem de tudo para estar constantemente na mídia, e depois, quando a mídia quer explorar aquilo que eles próprios iniciaram, aí querem privacidade. Esquece mano, você vendeu sua alma à mídia! Se quiser que falem do seu trabalho, ser chamado para uma entrevista, ser contextualizado, tem que deixar sua imagem ser explorada sem remuneração. É o preço.

Tem o outro lado da história. Imagino que alguns autores destas biografias acham que o público tem o direito de saber o que seus ídolos aprontaram no passado. Se fizeram parte de orgias, se fumaram crack, se tiveram relacionamentos homossexuais, se deram grana para partidos políticos, se foram amigos de militares,  se deram golpes, se bateram nas esposas, etc. Dizem que estão prestando um serviço ao público!!! Não estão não, estão querendo encher o bolso de dinheiro, só isso!!!

Francamente, o mundo não vai mudar por que foi feita uma devassa na vida dos reis do iê-iê-iê, da MPB, da tropicália ou do samba, ou as rainhas e reis das novelas globais. Gosto de música e TV, porém, a vida desses astros da música, ou de qualquer celebridade, em nada vai mudar o curso da sociedade ou levar a uma reflexão mais apurada do nosso País, não tem nenhuma utilidade intrínseca para a sociedade. Qualquer que seja o autor.

Já livros sobre figuras históricas ou história pura - mesmo que passeie pelo campo das indiscrições, como comentar o esquisito serviço prestado a Dom João VI pelo seu mordomo - certamente nos ajudam a compreender a formação e situação da nossa sociedade. Meu medo é que esta questão impeça o lançamento, em alguns anos, de livros sobre certas figuras que deitam e rolam na nossa política e vida pública.

Para mim, a questão é toda GRANA. Ponto final.

Monday, September 2, 2013

O poder da síntese

Comece lendo a última frase deste texto e depois volte ao início. Boa viagem.

Quase todo grande escritor ou pensador deixa como legado uma ou diversas belas frases, que com um extremo poder de síntese, explicam ou abrem o leque para compreender profundas verdades sobre a natureza ou a alma humana. Muitas vezes, apesar da produção de milhões de palavras em livros e artigos, o intelectual acaba sendo lembrado pela numericamente humilde, porém, bem colocada frase.

Sem dúvida, a capacidade de síntese é um dom ímpar e raro. Eu mesmo, dado a umas tortas letras, vez por outra crio "pérolas" que pelo jeito só brilham na minha cabeça, "máximas" que no meu ver, se emparelham em estatura com frases geniais e antológicas de Rui Barbosa e William Shakespeare, mas que não passam de fraseúnculas de efeito, nada mais.

Considere o seguinte. Nunca na história da humanidade, houve tanta gente com títulos de doutorado, pós doutorado, mestrado ou bacharelado. Terminar o curso secundário, numa época sinônimo de maturidade intelectual, hoje é uma coisa corriqueira até em países dos mais pobres. De fato, o terrivel analfabetismo, que condenava para a ignorância milhões e milhões de mentes, hoje é terreno de uma minoria. Nunca também houve tanta gente com domínio, ou pelo menos conhecimentos, de mais de um idioma.

Junta-se a isso a internet, que supostamente "democratizou" a informação no mundo, possibilitando acesso instantâneo a bilhões de textos sobre quase todos os assuntos em uma grande multiplicidade de idiomas. Só não dá os números certos da mega-sena com antecipação- e de fato - nada que o vai enriquecer financeiramente. Essas informações ainda permanecem secretas e protegidas a sete chaves, e  só alguns poucos privilegiados têm acesso às mesmas...Certas coisas nunca mudam.

Paradoxalmente, com tantos canudos na parede e na cabeça, com relativamente pouco analfabetismo,  e com a democratização da informação, as pessoas se comportam cada vez mais como analfabetas e autômatos. Respondemos com mais presteza e exatidão a ícones desenhados do que frases inteligíveis, na mesma forma que um analfabeto escolhe o produto certo no super-mercado por reconhecer a embalagem.

Por outro lado, vivemos num mundo de frases feitas, palavras de ordem e soundbytes (ou soundbites), usados sem qualquer limite na publicidade, na mídia, no jornalismo. Estamos ficando condicionados a consumir somente o curto e grosso.

Para piorar, as redes sociais nos deram a impressão de que é possível ser extremamente relevantes com uma frase construída com pouco cuidado, com muita generalização barata e com parco conteúdo. O twitter não só incita, como exige que o indivíduo dê seu recado em 140 toques do teclado.

Por último, a tecnologia também nos leva a abreviar, usar emoticoms, e escrever torpedos que certamente não seriam entendidos a meros 10 anos atrás, levando ao uso de frases sem verbos, adjetivos ou advérbios desenhados, sem conjunções, e abreviaturas desnecessárias e nem sempre padronizadas, dado o pequeno ou nulo custo da transmissão da informação. Frases equivalentes a "eu Tarzã, você Jane". Ou melhor, "Me Trz, vc Jn".

O resultado é óbvio. Monstruosidades desconexas e vulgares circulam nas redes, como se fossem resultados de mentes iluminadas, mas não passam de simplórias frases de efeito. De máximas nada têm, na melhor da hipótese, são mínimas. E bote mínimo nisso. Em suma, para criar uma relevante máxima, é preciso ter o raro dom da síntese.

Se você leu este texto na íntegra, parabéns. Você faz parte de uma minoria que não desiste no meio do caminho de qualquer texto com mais de 140 toques.

Sunday, August 25, 2013

A economia mundial e o Barcelona

Lembro-me que a questão de uns dois anos atrás a imprensa brasileira comemorava o fato de o Brasil ter subido no ranking de economias mundiais. Muitas pessoas celebraram o fato no Facebook como se o Brasil tivesse ganho sua sexta Copa do Mundo. E não foi uma coisa sectária, longe disso. Gente de todos os matizes políticos, inclusive um conhecido líder comunitário brasileiro aqui nos EUA (bem informado, de passagem) comemorou o fato com uma pueril dose de orgulho que chegava a assustar.

Foi um momento, nada mais do que isso. O Brasil produz em reais, portanto, o PIB é medido em reais. Para sua conversão em dólares, usa-se a taxa de câmbio corrente, aplicável ao período. Sendo assim, com a moeda valorizada, o PIB vai ser alto, ameaçando o PIB britânico. Com desvalorização, a história é outra, obviamente, e caímos no ranking mundial.

Na realidade, somos assim, nós brasileiros. Não somos muito pé no chão. Faz parte da composição emocional do nosso povo. Até nos mais altos escalões, festejou-se a boa reação da economia brasileira à crise internacional de 2008 com referências jocosas a "marolinhas", e pede-se "Pibão" publicamente, como se alguém fosse ou pudesse atender o chamado. A economia internacional é um complexo emaranhado de coisas, afetada pela saúde de sistemas financeiros, oferta e procura, clima, erosão ou valorização de moedas, situação de diversas economias diferentes, bolhas, bolsas mil, políticas públicas, leis, muita especulação. A conjunção de fatores positivos fez com que subíssemos no ranking mundial, porém, a reação assaz antagônica ao capital internacional o afastou do Brasil, para nunca mais voltar.

Em outras palavras, somos arrogantes quando a coisa está indo bem, e ficamos nas nuvens, nos "achando".

Que me leva ao caso Barcelona. Já em 2011, o time catalão deu uma bela sova no Santos, que na época não só contava com Neymar, mas também com Ganso, Borges e Elano. Segue a lógica que a diretoria do time deveria, depois disso, considerar o Barcelona um time de um nível muito melhor do que o Santos, e qualquer confronto evitado, para não passar outra vergonha, principalmente com a decomposição do elenco.

Pois bem, o que faz a diretoria? Negocia Neymar com o Barcelona, e como parte do pagamento, cria um plano esdrúxulo para "ampliar" a imagem internacional do time, a marca Santos no exterior. O Barcelona concorda em jogar um amistoso no Campo Nou, com a renda revertendo para o Santos, que certamente se esqueceu rapidamente do jogo de 2011. Com um alta dose de arrogância ou ingenuidade, ou mistura dos dois, o tiro deu pela culatra. O Santos perdeu de 8 x 0, a marca "Santos" ficou maculada no exterior, se não para sempre, pelo menos por um bom tempo, e a ficha caiu.

Como caiu a ficha de que o milagre econômico atual foi tão efêmero e inconsistente quanto o dos anos 70. Pé no chão é a melhor coisa. Se você cai, não dói muito. Voar é bom, mas a queda é muito mais dolorosa.

Saturday, August 24, 2013

O ressentimento das elites

Lembro-me que quando foram lançados os celulares no Brasil, ter um aparelho era um símbolo de status que devia ser mostrado com alarde e pompa. Logo os dispositivos foram se proliferando, ao ponto que hoje o Brasil tem mais celulares do que gente! Acho que tem gente dando celulares até para o cachorro.

Daí vieram os smartphones, o que deu uma chance para o pessoal chegado num status a provar novamente um gostinho de exclusivismo. Não demorou muito. Não há tantos smartphones no Brasil, ainda, porém há um número suficiente para tirar a aura de exclusividade do produto.

Foi assim com telefones normais, com video-cassetes, computadores de mesa, laptops, até com carros. Quando era criança, ter um carro no Brasil era coisa séria. A frota no país não passava de 2 milhões de carros. Os anos foram passando, as coisas mudando, e daí, mais recentemente, até gente da classe C começou a comprar carros, financiando a perder de vista.

Curiosamente, como o brasileiro de classe média para cima tem muita consciência de status, quase a nível de obsessão, algumas pessoas mais abastadas, parte das "elites" do país pelo jeito sentem ressentimentos quando "gentinha" começa a ter acesso às coisas que antes eram domínios seus.

O mesmo ocorre na área de viagens, principalmente viagens internacionais. Houve época em que viajar para o exterior era coisa para classe A mesmo. Depois a classe B começou a ter acesso, e hoje, até a classe C pega o seu passaporte e se manda. A mesma revolta aflige aqueles elitistas que lembram com suspiros os "bons tempos".

Acabei de ler o livro "Guia Politicamente Incorreto da Filosofia", de Luis Felipe Pondé, o qual recomendo.

Entretanto, fiquei estarrecido com a visão do escritor em relação ao assunto viagens. Disse que não quer mais viajar, basicamente, por dizer que virou coisa de "gentinha". Aeroportos cheios, crianças gritando, locais turísticos sendo profanados. Já não seria mais "chique" viajar.

O autor dá uma dica de que não seria bem os aeroportos cheios, ou crianças gritando, ou gente profanando locais turísticos que afetaria a sua sede de viagens; começa o livro narrando uma viagem à Islândia, um local que lhe agradou justamente por não ser cheio de turistas. Ou seja, ainda rende algum Ibope dizer que viajou para a Islândia.

A realidade é que é puramente uma questão de status. Paris, Roma, Nova York e Londres sempre estiveram cheios de turistas, pelo menos nos últimos 40 anos. O que é diferente é que hoje em dia não é muita vantagem para um brasileiro de alta classe dizer que esteve alguns dias nas maiores metrópoles do mundo, pois brasileiros de um estamento mais baixo não só tem condições, como viajam para estes locais. Por isso perdeu-lhe a graça, Sr. Pondé.

Como perdeu a graça fazer farol com celular, carro, laptop, etc.

Vaidade das vaidades, Pondé, como dizia o Rei Salomão. Quem viaja para outros países para absorver culturas diferentes, e não para dizer que escreveu um ensaio em Kensington, vai continuar viajando.

Friday, August 23, 2013

A História da Imprensa Brasileira, Oscar Pilagallo

Quando comprei este livro, tinha uma certa expectativa. Todos temos, quando compramos um livro. E de fato, na primeira metade o livro atendeu plenamente minhas expectativas.

Porém, a certa altura do campeonato, algo aconteceu. Vou comparar a um outro livro, com um assunto completamente diferente, a "História do Automobilismo Brasileiro", de Reginaldo Leme. No começo, o livro discutiu todos aspectos do batalhador automobilismo brasileiro. Entretanto, a partir de 1970, o livro poderia ser chamado de "História dos Pilotos Brasileiros na Fórmula 1", pois basicamente quase todos centímetros do livro, a partir desse ano, eram dedicados aos pilotos brasileiros na categoria maior do automobilismo. Como se o automobilismo doméstico tivesse sumido.

No caso deste tomo, não se trata da Fórmula 1, lógico, porém, a Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. É bem verdade que são de longe os dois principais jornais do estado, por que não dizer do Brasil. Porém, o livro deixa mais perguntas a responder, sobre uma série de outros jornais que apareceram e desapareceram com o passar dos anos, e parece ser um livro sobre a Folha e o Estadão, com a Veja e Isto É fazendo papeis secundários.

Não me lembro de ter visto nenhuma menção sobre "O Dia", nem tampouco do "Popular da Tarde". Como se deu o desaparecimento de Notícias Populares, Última Hora, A Gazeta, Diário da Noite, Folha da Tarde. A Gazeta Esportiva foi tratada com o mais completo desdém, o declínio dos Diários Associados não mereceu muita explicação. Não me lembro de ter sido mencionado que o Diário de São Paulo tinha sido da Globo até recente, e falou-se muito pouco sobre o jornalismo televisivo em  São Paulo. E o nome de Orestes Quércia não aparece em lugar nenhum, que eu me lembre.

É bem verdade que o subtítulo avisa que se trata de um livro sobre "Jornalismo e Poder de D. Pedro I a Dilma", e que sem dúvida, a NP, UH, Gazeta etc, certamente não contribuiram muita coisa no cenário político. Obviamente, Gazeta Esportiva teve pouco efeito na política brasileira, exceto em eleições no Corinthians.

Vale a pena comprar o livro pela primeira metade, cheia de deliciosos fatos.

Melhor teria sido se o autor tivesse dado o título "Jornalismo e Poder de D. Pedro I a Dilma", com o subtítulo "Uma História da Imprensa Paulista". Faria mais sentido.

Um dos fatos mais curiosos foi a grafia utilizada pelo autor para o Jornal Nacional da Globo, sempre escrito "Jornal nacional", com a palavra "nacional" em letras minúsculas. Obviamente, o autor não é muito fã do JN...

Saturday, August 17, 2013

O câmbio e a Copa

Quem não sabe que a Copa será realizada no Brasil no ano que vem? Todo mundo. Aliás, há diversos anos que já estamos ouvindo falar sobre o tal evento grandioso, quão maravilhoso será para o Brasil, etc. Que muitos negócios serão alavancados, principalmente na área da construção, infraestrutura e turismo, gerando milhares, centenas de milhares de empregos. Que o evento colocaria o País no radar internacional, provando que finalmente chegamos próximos de ser Primeiro Mundo. Etc, etc, etc.

Curiosamente, um ano antes da realização do faraônico evento, a palavra crise parece voltar a fazer parte do cotidiano do brasileiro. Nosso pibão virou pibinho, o Eike de bilionário virou mero multi-milionário (tadinho!!), e a inflação parece estar rondando. Pelo menos até agora a construção de novos hoteis, expansão de aeroportos e dos estádios não parece ter trazido tantas benesses a nível macroeconômico.

Porém, sem dúvida, mesmo que as manifestações de rua continuem, e muita gente deixe de vir para a Copa, nunca um evento trouxe tantos turistas ao Brasil como a Copa de 2014 trará. Diversos carnavais juntos, quem sabe, 20 carnavais seriam necessários para juntar tanta gente no reinado tupiniquim.

Na equação dos benefícios da Copa, calculou-se que centenas de milhares de turistas entrangeiros, ou algo assim, viriam ao Brasil gastar muitos dólares. Ou seja, no curto espaço de um mês, entraria muita grana no Brasil, grana de dar inveja aos milhões gastos diariamente por brasileiros em lojas do mundo inteiro.

Só que existe um pequeno problema.  Vamos falar de números. É certo que não sou nenhum Pascal, admito ter lá meus problemas com os algarismos, entretanto, não sou também um completo boçal. Digamos que os turistas estrangeiros sejam 500.000, e que, em média, cada um gaste 10.000 reais durante a sua estadia no Brasil. Fora passagens, claro, pois o dinheiro das passagens acaba sempre ficando lá fora. Dá nada menos do que 5 bilhões de reais. Já ouvi falar em 10 bilhões de reais.

Se a Copa tivesse ocorrido naquela época em que o governo energicamente atacou o câmbio a R$1,60, há uns dois anos atrás, teriam entrado no Brasil 3,125 bilhões de dólares. Ocorre que câmbio de 1,60 já era, de fato, já se fala com uma preocupante normalidade em câmbio a 2,70, ou seja 1,85 bilhões de dólares. Uma grande diferença!

Todos sabemos que na hora "h", os lojistas, restaurantes, etc vão tentar subir seus preços. Mas ainda assim, mesmo que subam, as divisas em dólar que entrarão no Brasil na Copa estão sendo dizimadas pelo câmbio.

Só os hoteis provavelmente sairão ganhando, pois normalmente têm seus tarifários em dólares. Taxis, lojas, supermercados, farmácias, empresas de serviços, companhias aéreas domésticas, e até mesmo restaurantes têm que pegar leve. Sim, virão muitos turistas, porém, não poderão abrir mão da clientela brasileira, que por bem, por mal, ainda será a maioria.

É bem verdade que se pensarmos bem, até 3 bilhões é pouco dinheiro, comparados com os bilionários leilões feitos pelo BACEN diariamente para tentar conter (sem sucesso) a alta da moeda americana.

A grande moeda, entretanto, é a moeda eleitoral.

Não sou advinho, porém, algo me diz que o câmbio vai estar um pouco mais valorizado lá pelos idos da Copa. Em agosto de 2014 a gente conversa.